Não podemos deixar de falar sobre Marielle

marielle franco

Oi! Eu sumi recentemente e sei disso. Por isso, entendo que pode parecer meio ultrapassado trazer à tona esse assunto que já foi tão falado por tanta gente e que, lentamente, tem perdido espaço entre textões nas redes sociais. Duma perspectiva de marketing e algorítimos, posso mesmo ter perdido o timing, mas, mesmo assim, não posso voltar e fingir que nada aconteceu nesse meio tempo.

No dia 14 de março, a vereadora do Rio de Janeiro, Marielle Franco, foi assassinada. Já faz um tempo e, desde então, outros crimes já aconteceram. Cada um deles em uma família, uma realidade, um universo particular. E, sim, todos eles importam. Mas a morte de Marielle não é um mero retrato da crise de segurança pública que enfrentamos no país. Ela representa um sentimento muito maior.

Assisti ontem a um vídeo da Vanessa Chanice, em que ela fala algo muito significativo: “junto com a Marielle, morreu uma parte de nós”. Pode parecer exagero e não fazer muito sentido de cara, mas esse crime foi político e representa uma mensagem clara. Um alerta para qualquer brasileiro e, especialmente, para quem faz parte de movimentos sociais e vem lutando por pautas que não condizem com os pensamentos da elite.

Marielle era uma mulher negra, LGBT, nascida e criada na favela, que ousou descer do morro e ocupar os altos cargos de uma das maiores cidades do país. Uma cadeira numa instituição de Ensino Superior, uma vaga no Mestrado, um lugar na Câmara Municipal. Espaços que foram negligenciados a ela e aos seus, mas pelos quais lutou incansavelmente.

Ao ocupar essas posições, não esqueceu de onde vinha. Não virou o rosto para as comunidades periféricas e as minorias da qual sempre fez parte, se apoiando num discurso de meritocracia. Marielle se agarrou a essas oportunidades e utilizou os holofotes a que teve acesso para chamar atenção para questões negligenciadas, que vivenciou de perto.

Sua cadeira no Legislativo Municipal era ocupada por outras mulheres, mães, negras, periféricas e LGBT. Seus espaços privilegiados eram divididos com todos aqueles que não puderam ocupá-los. Marielle não baixou a cabeça. Foi forte, bateu o pé, questionou. E, por isso, foi silenciada.

A morte de Marielle representa a tentativa de calar outros milhares de brasileiros. Seus mais de 46 mil eleitores, seus companheiros de movimentos sociais e qualquer um que ouse questionar. Mas, Marielle vive. Porque sua morte nos lembra que nem sempre é fácil e que, as vezes, parecemos dar dez passos para trás a cada um que damos à frente, mas que desistir é ainda pior.

Com sua morte, sentimos uma chama se apagar. Será que vale a pena? Será que chegaremos mesmo a algum lugar? Mesmo em meio à onda de desespero e questionamentos, temos mulheres como ela para deixar claro que lutar é preciso e que resistir é a única opção. Marielle foi silenciada, mas milhares de vozes têm se ampliado, deixando claro que ela continua presente.

No sentimento de revolta, nas manifestações e na resistência, Marielle foi imortalizada e continua conosco para que não nos esqueçamos que precisamos lutar.

Links que podem te ajudar nessa onda de ~desinformação e notícias falsas~

A verdade sobre Marielle Franco: https://www.mariellefranco.com.br

Vídeo de Leon e Nilce explicando o caso: https://www.youtube.com/watch?v=yzpB3Jyi_BA

Jana Viscardi sobre o assunto: https://www.youtube.com/watch?v=VejOgJ0eh7Y

Mimil fala sobre a importância de se posicionar: https://www.youtube.com/watch?v=dFH5S5Ncacs&t=703s

No mais, pesquise, se informe, cheque as fontes (!!!!!!!!). Várias falácias têm sido divulgadas para silenciar e menosprezar o caso. Não permita que a desinformação te cegue.

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Maratona para o Oscar 2018 #5: As apostas

AS APOSTAS

Cinco semanas depois, estamos chegando ao fim dessa série que amei fazer e que duvidei que iria terminar. Nem acredito que realmente assisti a tantos indicados e que fiz resenhas para todos eles! Espero mesmo que tenha sido tão legal para vocês quanto foi pra mim porque já estou ansiosa pra repetir a dose em 2019.

É claro que a última postagem não poderia ser diferente, né? Reuni aqui as minhas apostas para as categorias principais (que foram mencionadas nos outros posts) e separei em dois tipos: a aposta do coração e a da razão.

Assim, compartilho tanto os filmes que eu gostaria que ganhassem, quanto os que acho que vão ganhar de verdade e ainda ganho dupla chance de acertar.

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Resenha de Quinta: Todo dia a mesma noite, a história não contada da boate Kiss

todo dia a mesma noite

Entre as minhas metas literárias deste ano, duas têm sido seguidas com bastante determinação: ler mais livros nacionais e ler mais não-ficção. Como eu sou apaixonada demais pelo meu curso, é claro que isso quer dizer que estou sempre louca pra descobrir novos livros jornalísticos, com reportagens sobre temas diferentes. Por isso, fiquei muito curiosa quando fiquei sabendo do lançamento de “Todo dia a mesma noite, a história não contada da boate Kiss”, que aconteceu há menos de um mês.

Como dá pra deduzir, nele a incrível Daniela Arbex narra a história por trás do incêndio que aconteceu na boate Kiss, em Santa Maria, em 2013. Sob o ponto de vista de sobreviventes, familiares das vítimas, médicos e policiais, os relatos são construídos não como uma grande reportagem, mas como uma narração que organiza os depoimentos de modo cronológico.

A intensidade com que nos deparamos com os fatos é inexplicável. Mesmo que eu já tivesse um conhecimento superficial sobre os acontecimentos, foi devastador me deparar com uma perspectiva que foge da narrativa midiática e mergulha em todas as vidas que foram marcadas naquela noite. Ler sobre as primeiras ligações, as buscas, o desespero e, por vezes, a temida confirmação pelos olhos dos pais que perderam seus filhos é algo que não dá pra esquecer.

Toda a construção da narrativa é densa, envolvente e muito emocionante. Já nas primeiras páginas, o leitor é transportado para dentro do universo dos relatos e sente tudo conforme é descrito: o medo, a esperança, a dor. A combinação de sentimentos oferece a quem lê uma visão totalmente transformadora do que aconteceu.

Por mais que eu tenha ficado incomodada com algumas coisas relacionadas à escrita (o uso de muitas siglas e idades do padrão jornalístico não combina com a proposta), isso se torna minúsculo diante da experiência de imersão que o livro propicia. É, sem dúvidas, uma coleção de relatos transformadores que marca o leitor de forma permanente.

Maratona para o Oscar 2018 #4: Os indicados a Melhor Animação

maratona oscar - melhor animação

Estamos praticamente na reta final de preparação para cerimônia! Nessas últimas semanas de maratona, resolvi focar em uma categoria que amo e valorizo demais: a de Melhor Animação. Engana-se quem pensa que é um conteúdo meramente infantil. Todo ano, a Academia escolhe umas obras lindas que tratam temas complexos e densos com bastante sensibilidade.

Por isso, eu não poderia deixar de vir aqui enaltecer esses filmes maravilhosos. É claro que os critérios de avaliação são um pouco diferentes, mas não dá pra deixar de citar essas indicações lindíssimas.

A única resenha que vou ficar devendo é a de The Breadwinner, que ainda não está disponível. Mas, como nos outros posts, quando eu conseguir assistir, atualizo o post e aviso pelo Instagram (@desfabulosodestino).

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Maratona do Oscar 2018 #3: Os indicados por atuação

maratona oscar - melhor atuação

O post dessa semana reúne quatro categorias bastante concorridas e super importantes (Leonardo DiCaprio que o diga): Melhor Ator, Melhor Atriz, Melhor Ator Coadjuvante e Melhor Atriz Coadjuvante. Não há dúvidas que um prêmio como esse é capaz de modificar toda a carreira desses profissionais, promovendo tanto reconhecimento quanto uma melhora considerável em seus futuros cachês, né?

Como fiz na última semana, mencionarei apenas os filmes que receberam indicações nessa área, mas que não foram citados nos meus últimos posts. O único que ficará faltando é Todo o Dinheiro do Mundo, que, apesar de ter recebido indicação à categoria de Melhor Ator Coadjuvante (com Christopher Plummer), ainda não está disponível em plataforma nenhuma.

Apesar disso, assim que eu assistir, farei uma atualização no post e avisarei pelo Instagram (@desfabulosodestino).

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Maratona para o Oscar 2018 #2: Os indicados a Melhor Roteiro

maratona oscar - melhor roteiro

Cada dia que passa fico mais ansiosa pela cerimônia do Oscar. Conhecer mais indicados é, também, ficar mais em dúvida de quem vai acabar levando as famigeradas estatuetas para casa e esse é um sentimento meio doido e massa.

Dessa vez, falaremos dos indicados por melhor roteiro. Como muitos dos indicados já foram abordados no post da semana passada, vou me ater apenas aos que ainda não foram mencionados.

Já adianto que tá super concorrido e que as indicações são tão boas que servem tanto pra maratona quanto pra a vida.

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A primeira regra de todos os manuais de relacionamento

auto estima

Nunca coloque a sua autoestima nas mãos de alguém. Nunca nunca nunca nunca.

Ele pode ser encantador e charmoso e o amor da sua vida e toda uma gama de adjetivos que você nunca usou para descrever ninguém. Ele pode ser a pessoa mais incrível que você conheceu e que te faz sentir coisas únicas e indescritíveis. Ele pode ser tudo que você sonhou e um pouco mais.

Mas nem ele merece ser uma exceção para essa regra.

Esse é o tipo de coisa sobre a qual devemos ser impositivos e egoístas. Não há nenhuma flexibilidade nesse caso. Sem negociações, barganhas ou choramingos. É uma péssima ideia e você sabe disso. Não restrinja sua visão de si mesmo ao prisma de alguém.

Condicionar seu amor próprio aos sentimentos expressados por outra pessoa é uma ação inevitavelmente fadada a falhas. Mesmo que seja o sentimento descrito em todos os contos de fadas e obras de romance água com açúcar, ele deve ser um complemento e não o resultado final dessa equação.

Outras pessoas podem ser propulsoras da sua autoestima. Podem até te dar um empurrãozinho. Mas ela é propriedade exclusiva sua e é assim que deve ser. É uma armadilha para ambos os lados e simplesmente não vale a pena.

Seu amor próprio merece ser uma entidade independente. Independente de elogios alheios, de aprovação, atenção ou de seja lá o que você busca. As raízes desse sentimento devem nascer em você. Se amar porque você é suficiente.

Só assim você permitirá que esta sensação se expanda e gere frutos. Que ela se estenda ao amor que você sente pelos outros e pelo que te rodeia. E que ela permaneça. Independente de quem vai ou fica, de quem te aprecia ou não.

Porque o sentimento deve ser inteiramente seu. E nada mais.