Você não é a mãe do seu namorado #42

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É isso. Você não é a mãe do seu namorado. Nem do seu marido, nem do seu rolinho, nem do seu crush, nem de seja lá como você chame a pessoa com quem você está se relacionando. Esse é o tipo de coisa que parece óbvia demais, mas que nós costumamos esquecer. Você não é obrigada a lembrá-lo de pagar os boletos, de estudar pras provas ou de ir ao médico. É claro que você pode fazer isso (e é gentil que faça), mas não é sua obrigação.

Você não é responsável pelo sucesso profissional dele e não merece ter que entrar na milésima discussão sobre como ele está deixando o tempo passar, sem buscar algo melhor. Você sabe que ele já ouviu esse discurso um milhão de vezes e não é sua obrigação repeti-lo até que ele aceite. Simplesmente não vai acontecer tão fácil assim.

Estar em um relacionamento significa, de muitas formas, dividir. Dividir responsabilidades, tarefas, fardos. Isso quer dizer que não é seu papel carregar tudo sozinha por achar que a pessoa com quem você está não faria isso da forma correta. Uma hora ou outra ele vai ter que aprender. Caso contrário, você vai estar permanentemente exausta.

Já cansei de ouvir amigas reclamando sobre como têm que puxar o pé do namorado para as coisas mais simples. Veja bem, não há nada de errado com assumir essa posição, mas você não acha que é meio cansativo ter que manter permanentemente esse senso de responsabilidade? É um trabalho árduo e que nunca terá um fim, a menos que você determine onde colocará o ponto final.

É meio automático deduzir que os homens não vão saber se cuidar sozinhos. “Ele viveu sempre na barra da saia da mãe”, “ele nunca aprendeu a se virar”, “se eu não fizer, ele vai fazer de qualquer jeito”. Às vezes, o qualquer jeito é o primeiro passo do caminho até o jeito certo. Ou até o jeito que ele conseguirá fazer em um ritmo próprio, pelo menos.

Dar à pessoa com quem você está o espaço para crescer é bom para as duas partes. Ninguém sai perdendo. Ninguém precisa entrar em discussões sem sentido, com gritos e batidas de porta. É bem mais produtivo segurar a mão dele nessa caminhada, que carregá-lo nos ombros.

Você não é mãe dele. E não há nada de errado com isso.

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O que é um relacionamento abusivo?

Fazer a pessoa com quem você está se sentir louca, instável e sempre errada é abusivo. Querer controlar a vida de alguém, ditando com quem ela pode ou não se relacionar e de que modo deve agir é abusivo. Não respeitar o “não” de alguém também é  um comportamento abusivo.

Esses são sinais que podem ser facilmente ignorados no dia a dia, mas que, juntos, geram um quadro preocupante: o de relacionamento abusivo. De acordo com um levantamento da ONG Artemis, que atua com a promoção da autonomia feminina e prevenção e erradicação da violência contra as mulheres, três em cada cinco mulheres do Brasil passam, passaram ou passarão por uma situação desse tipo.

Um dos fatores que agrava esse quadro é a desinformação. Como o tema é pouco debatido e muitos desses comportamentos foram naturalizados, acaba sendo difícil identificar a situação: Tanto para os causadores, quanto para as vítimas.

Por isso, antes de tudo, é importante reconhecer os sinais e saber diferenciar a preocupação genuína do desejo de assumir o controle da vida alheia. É claro que cada situação é única e que não existe um manual capaz de ditar todas as regras, mas vale a pena prestar bastante atenção.

A possessividade e o ciúme exarcebado são duas características que devem fazer acender um sinal vermelho. Não é aceitável que a pessoa com quem você se relaciona (seja romanticamente, como amizade e até com algum grau de parentesco) queira impor regras para determinar as pessoas com quem você convive, o jeito que se veste ou como se porta.

A desculpa de que isso é uma “demonstração” de amor é só isso: Uma desculpa. Não há como justificar esse tipo de ação. É possível (e bem mais saudável) amar sem controlar.

Quer saber mais sobre o tema? Confere essa entrevista que eu fiz com a psicóloga Ítala  Daniela:

TOP 3: Livros nacionais no Kindle Unlimited #41

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Conheça meu novo amor. ❤

Como já mencionei por aqui, ganhei um Kindle de presente de aniversário adiantado. Ainda quero usar mais um pouquinho antes de fazer uma resenha específica, mas já descobri um dos maiores (e melhores) diferenciais dele: o Kindle Unlimited, conhecido como a Netflix de livros da Amazon.

Basicamente é um serviço de streaming como tantos outros que vemos por aí, que nos permite ter acesso a um número gigantesco de e-books por meio do pagamento de R$ 19,90 mensais. É a assinatura mais barata de todas? Com certeza não. Mas se você der uma olhada no valor dos e-books, acaba valendo bastante a pena.

Além de toda a facilidade que a plataforma traz, existe outra característica que fez com que eu me apaixonasse. Por meio dela, muitos autores independentes (inclusive brasileiros) acabam publicando seus livros. Ou seja, tem livro que sequer existe de forma física.

Assim, por um valor até mais ou menos, consigo conhecer um monte de escritores que eu dificilmente conheceria de outra forma. Para ilustrar quão maravilhoso isso é, resolvi falar sobre três livros que li recentemente e que provam meu ponto. Por coincidência, todos outra coisa em comum: a presença de personagens LGBT.

Então temos um combo: livros por um preço barato + valorizar autores nacionais + representatividade. O que mais você pode querer?

P.S.: Dá pra ler todos esses livros mesmo se você não tiver o Kindle Unlimited porque estão a venda na loja da Amazon.

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6 razões para ler “Quinze Dias”, do Vitor Martins #40

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Promessa feita é promessa cumprida. Como mencionei no post de Atualização Mensal, Quinze Dias foi um livro tão especial que eu precisava de uma postagem inteirinha para falar sobre ele. Pensei em fazer uma resenha, em separar umas citações maravilhosas, em contar sobre como esses personagens me tocaram de uma forma única, mas decidi que era tanto amor que nada melhor que uma lista para deixar isso bem detalhado.

Para te familiarizar com a história, vamos por partes: o Vitor Martins é um booktuber maravilhoso que tem um canal que você precisa conhecer agora. Entre todas as coisas sensacionais que faz (como desenhar lindamente), ele arranjou tempo para escrever esse livro sobre o Felipe, um garoto adolescente e gordo que tem muitas questões em relação ao seu corpo e que não está nem um pouco preparado para passar parte das férias dividindo o quarto com seu vizinho (e crush eterno) Caio.

Preciso de algo mais para te convencer? Senta que lá vem história.

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A maior feminista revoltada que você respeita #39

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Durante boa parte da minha adolescência, eu abracei o título de feminista revoltada. Eu era a pessoa que brigava com todo mundo e que se sentia na obrigação de apontar o dedo para cada ato, fala ou pensamento sexista que aparecia por aí. Que tipo de pessoa eu seria se deixasse esse machismo passar? Eu seria só mais uma no meio deles, mais uma arma do patriarcado.

Alguns anos se passaram e eu ainda brigo por causa disso. Bastante. A única diferença é que eu sei em que tipo de discussão vale a pena entrar. De vez em quando, eu me dou o direito de aumentar o volume do fone de ouvido e ignorar os comentários alheios. Me permito respirar fundo e focar em outra coisa, fingindo que a pessoa que falou uma bobagem daquele tamanho não está ali.

Isso não foi uma coisa planejada. Não foi uma resposta aos esforços da minha mãe para que eu não me envolvesse em tanta confusão. Foi só algo que aconteceu naturalmente. Agora eu sei quando vale a pena fazer um textão e quando é muito melhor desfazer amizade ou, simplesmente, continuar rolando a página.

Por muito tempo, afirmei que os deboístas eram só cúmplices nesse processo todo de opressão que fingiam não estar vendo as coisas só para ficarem alheios aos acontecimentos. Hoje, entendo que não perco nenhuma estrelinha na minha carteira de ativista por entender que existem pessoas que não estão dispostas a dialogar e que só querem mais argumentos para atacar os movimentos sociais.

Não sou da política de atingir igualdade com apresentação em PowerPoint, mas gosto de lembrar a mim mesma que não sou obrigada. Eu vou continuar gritando, brigando e reclamando tantas vezes quanto eu achar necessário, mas vou me permitir dar um passo para trás e lembrar que me manter sã também é importante.

Como uma cena de Dear White People aponta maravilhosamente: As vezes, ficar de boas também é um ato revolucionário.

Should I stay or should I go? #38

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Eu gosto de rotinas. Posso dizer que não e inventar uma desculpa para fazer parecer que gosto de viver cada dia intensamente e que aposto na imprevisibilidade de olhos fechados, mas seria tudo uma balela. Gosto muito mais de planejar o que vai acontecer no próximo dia, próxima semana, próximo ano.Gosto de ter tudo bem definido e me sinto muito ameaçada com a falta de estabilidade. Sou aquele personagem caricato dos filmes que sempre fica com um pé atrás antes de todas as cenas realmente significativas da narrativa.

É por essas e outras que uma das minhas metas desse ano foi “dizer sim”. Pura e simplesmente, como no título do livro da Shonda Rhimes. Dizer sim para tudo que me apavora e que torna o chão abaixo dos meus pés em um monte de areia movediça. Ok, isso foi meio brega, mas é mais ou menos essa a vibe: aceitar o assustador, o imprevisível, o diferente.

Depois de quase dez meses, preciso dizer que nem sempre é fácil. Aliás, dizer não também é uma virtude. É importante entender quando vale a pena estabelecer raízes e apostar no conhecido, no confortável. É difícil chegar em um equilíbrio, mas acredito que esse é o tipo de coisa pela qual devemos buscar. Entender quando ir e quando é melhor dar meia volta.

Dizendo sim fui capaz de ir a shows que me renderam experiências únicas, de viajar sozinha e de escrever um artigo no prazo mais apertado de todos. Dizendo sim aceitei esse projeto meio torto de postar todos os dias. Só três letrinhas e eu já estava em um caminho meio diferente e esquisito.

Dizendo não aprendi quem devo manter ao meu lado e entendi que o ego as vezes é uma armadilha meio traiçoeira. Dizendo não economizei dinheiro e fiquei em casa em noites chuvosas, sem nenhum arrependimento. Só três letrinhas e eu já estava colocando minha saúde mental na frente das outras coisas.

Em um monte de livros de auto-ajuda, é possível encontrar mil dicas de “quebre a rotina”, “abandone a estabilidade”, mas, na real, acho que é uma questão bem mais complexa que isso. O que vale mais é estabelecer a sua própria rotina e descobrir o que cabe ou não nela. É abraçar as oportunidades de mudança, mas se conhecer o suficiente para saber quais serão verdadeiramente positivas.

Não importa o que você faça. Eventualmente, você vai quebrar a cara.  Indo ou ficando. Dizendo sim ou não. Esqueça as regras. A vida real ainda é a coisa mais imprevisível que existe.

 

Atualização Mensal: Os filmes de Agosto #37

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A segunda parte da Atualização Mensal de Agosto chegou!! Assim como com os livros, dei sorte de assistir algumas coisas bastante interessantes esse mês. Apesar de não ter sido em graaande quantidade, foi quando eu finalmente atingi a meta que eu tinha estabelecido lá no comecinho do ano de assistir 50 filmes.

Além do mais, um grande ponto positivo: Todos eles estão na Netflix, então já dá pra correr daqui direto pra assistir. O único filme que vai ficar de fora é o ‘Onde está Segunda?’, que já ganhou um post inteirinho pra eu demonstrar meu amor.

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