Mimimi musical

O Bob Esponja apoia a diversidade musical.

Eu gosto de funk. Não porque acho engraçado ou por qualquer outra razão. Realmente gosto de MC Mayara e não troco o “mulher é tudo gostosa, poderosa, é rainha” dela por nenhum ritmo elitizado que inferiorize meu gênero. Pulei e comemorei quando Valesca Popozuda me respondeu no Twitter. Inclusive, sempre corro pra televisão quando ela está dando entrevista. E isso, por incrível que pareça, nunca diminuiu meu QI. Nem arrancou de mim o direito de ser feminista.

 Sempre que eu menciono que gosto do ritmo, torcem o nariz e dizem “logo uma feminista?”. O machismo não tá no funk. Tá no mundo inteiro. No Brasil, na Dinamarca e na Rússia. No funk, no MPB e nas músicas eletrônicas. O único ritmo que não tem letras machistas é o instrumental (por motivos óbvios), mas, de resto, nenhum se salva.
 É fácil apontar Mr. Catra quando você não gosta do ritmo das músicas dele, mas se for pra julgar a inferiorização da mulher, vamos começar por Mário Lago e a Amélia. Que não pode ter vaidade e que tem que ficar em casa dia e noite esperando pela boa vontade masculina.
 O problema não é a ideologia que a música carrega. É de onde ela vem. Porque funk é música de favela, música criada pelos negros, música que não faz parte dos costumes da elite branca. Sendo assim, quem escuta é promíscuo, burro, ignorante e, como não poderia faltar: sem cultura. 
 Aos que acreditam que ritmos como funk, sertanejo e forró não são música, apresento a definição do dicionário:

 música

substantivo feminino

  1. combinação harmoniosa e expressiva de sons.
  2. a arte de se exprimir por meio de sons, seguindo regras variáveis conforme a época, a civilização etc.
  3. interpretação de obra musical.
  4. p.met. conjunto de sons vocais, instrumentais ou mecânicos com ritmo, harmonia e melodia.
  5. p.met. produto da criação ou execução musical.

 Desculpa pelo choque, mas é isso aí. Todos esses ritmos caracterizam música. Parece louco acreditar que o conceito não é baseado no seu gosto, eu sei. Agora não tem mais desculpa, né? Já dá pra parar de ficar dizendo que não é válido só porque você, que aparentemente tem toda a sabedoria do mundo, não gosta.
 Não acho nada errado não gostar de um ritmo. Aliás, acontece o tempo todo, com todo mundo. Mas, desvalidar algo baseado no seu gosto pessoal é, no mínimo, um egocentrismo sem tamanho. Então, vamos nos dar as mãos e prometer não julgar o amiguinho só porque ele tem um estilo musical diferente, ok?
 E que cada um escute o que quiser, quando quiser, sem ser da conta de ninguém. Porque a graça das coisas é exatamente esse monte de possibilidade que temos.
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