Consideramos justa toda forma de amor


  A acusação de que a homossexualidade vai “destruir a família” é cada vez mais popular. Talvez seja falta de um argumento melhor. Talvez seja só implicância. De qualquer forma, existem uma porção de formas pelas quais famílias são REALMENTE destruídas. 

  1. Agressão: Uma mulher é agredida no Brasil a cada cinco minutos. A cada duas horas, uma morre. 
  2. Estupro: Em quase 79% das ocorrências de estupros de crianças acontecem dentro de casa. Com adolescentes, o número é de 67% e com adultos é de 65%. 
  3. Homofobia: Mais de 300 mil adolescentes foram expulsos de casa, nos Estados Unidos, ao contarem aos pais sua orientação sexual. 
 Eu entendo que a sua vontade seja pregar o que está na Biblía, mas, pelo que eu saiba, também está escrito que devemos amar ao próximo. E amor inclui respeito, inclui aceitação, inclui saber que nem todo mundo é igual. É ver as diferenças e saber que, no fim das contas, não tem o menor problema.
 Num mundo com tantos assassinados, agressões, estupros, sequestros e uma porção de barbaridades acontecendo, por que o que se tenta combater é o amor? É absurdo que as pessoas tenham se tornado tão intolerantes. 
 Uma família não precisa ser igual a sua para que seja legítima. Quando se diz que é preciso de um pai e uma mãe para que a família seja válida, são invisibilizadas não só as famílias com dois pais e duas mães, mas também as que não tem um deles ou os dois por qualquer motivo. Se os pais morrem e a criança vai viver com os avós, ela deixou de ter família? Esse é o conceito mais egoísta de todos.
 O que faz com que os filhos de casais homoafetivos sofram não é a incapacidade dos pais ou das mães, nem a falta da ~presença de alguém do sexo oposto~ em posição de poder. O que os traumatiza, os maltrata e os faz sofrer é que as pessoas não aceitem que a sua vida não seja regrada conforme as convenções sociais.
 A educação familiar não é prejudicada, mas o convívio com crianças que herdaram de seus pais uma ideologia preconceituosa é doloroso. Como isso possivelmente seria justo? Como é que impedir o seu filho de brincar com um colega da escola que tem dois pais é mais aceitável do que ver uma criança cuja família é diferente do modelo imposto sendo feliz?
 Enquanto na casa ao lado estão ensinando que o amor é o mais importante e que ele é válido em qualquer dimensão, na sua você está passando a noção de que seu filho não deve lidar com as diferenças, que deve repreendê-las, invés de respeitá-las. Não tenho poder de julgar a ideologia alheia e nem gostaria de tê-lo, mas, enquanto o seu umbigo estiver no centro do universo, o mundo não poderá girar em total capacidade.
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