Arquivo S: Para sempre Alice

Adivinha quem tá de volta (pela milésima vez).

Olá, migos! Finalmente eu trouxe mais uma resenha cinematográfica para esse pobre blog abandonado. E resolvi falar da adaptação de um livro sobre o qual já falei em vídeo: Para sempre Alice. O filme que rendeu à rainha Juliane Moore um Oscar de melhor atriz (<3) fala sobre uma mulher de 50 anos que descobre que tem Alzheimer. A personagem, Alice Howland, é uma professora universitária de linguística que se choca com lapsos de memória cada vez mais frequentes, até que procura um neurologista e recebe o diagnóstico da doença.

CARGA EMOCIONAL 

 Só de saber que a inspiração para o livro de Lisa Genova foi a avó da autora, que tinha Alzheimer, já dá pra ter uma noção de que vai além de uma visão superficial de alguém que acha que o caso daria um bom livro. É profundo, é delicado, dá um aperto no coração e vontade de segurar a mão da Alice e dizer “vai ficar tudo bem, vai ficar tudo dez” porque ela é uma personagem por quem você acaba sentindo muita empatia.
 E não para por aí. O filme foi dirigido por Richard Glatzer e Wash Westmoreland, que eram casados desde 2013 e estavam, no momento da produção, passando por uma situação que lembrava muito o que era encarado por Alice e seu marido. Richard foi diagnosticado com ELA, uma doença degenerativa neurológica (aquela da campanha dos baldes de gelo), e, no começo desse ano, já se comunicava usando apenas o dedão do pé e um iPad projetado de forma especial. Apesar disso, ele não deixou de comparecer no set por sequer um dia, mas faleceu em 11 de março, um dia antes do filme ser lançado no Brasil.

DESENVOLVIMENTO DA DOENÇA
 Se eu tivesse que nomear uma doença que me assusta, não precisaria pensar duas vezes antes de responder Alzheimer. A possibilidade me aterroriza, mesmo sem que eu tenha histórico familiar. Essa pode ter sido a razão pela qual me senti tão atraída pela trama, mas a veracidade que as duas obras – a literária e a cinematográfica – passam é incrível.
 Nos dois casos é possível ir percebendo o desenvolvimento dos sintomas, que começam fraquinhos, com o esquecimento de palavras, e acabam tomando proporções bem maiores. 
 No livro, isso é notável porque é feito em primeira pessoa, então você se sente dentro da cabeça da Alice enquanto ela se esforça para lembrar onde colocou algo, para que uma coisa serve, um termo que precisava dizer ou quem é a pessoa que está na frente dela. 
 No filme, uma das formas para mostrar isso que achei mais interessante foi o uso de um jogo de palavras no qual a personagem competia com a filha mais velha. Dá pra perceber que, no começo do filme, Alice usa palavras elaboradas e complicadas, mas, no desenrolar dele, passa a usar termos mais básicos. A técnica chamou muito minha atenção, apesar de não ter recebido tanto destaque assim na obra e não ter sido elaborada tanto quanto poderia.
 Além disso, no cinema dá para notar os efeitos externos da doença. Lentamente, a personagem vai ficando cada vez mais debilitada, passando um aspecto de maior fragilidade.

FOTOGRAFIA
 A maior parte do filme é composta por cenas com desfoque no segundo plano. Super funciona na maior parte do tempo, mas em alguns momentos achei que ficou estranho. Uma cena que me incomodou muito foi uma em que Alice e Lydia estão no restaurante. Ficou extremamente focado no primeiro plano e criou um aspecto esquisito porque pareceu um chroma key mal feito.
 Apesar disso, acho que o desfoque deu muito certo ao tentar mostrar a confusão da personagem num momento aí que não vou falar pra ninguém reclamar de spoilers. Nessa mesma situação, uma cena bizarramente esquisita por causa de um corte esquisito aconteceu, mas estou relevando para focar no que foi legal.
 A temática dava abertura para uma exploração maior da cartela de cores, mas, mesmo não focando nisso (ou, pelo menos, não deixando notável o foco no aspecto), usaram um pouquinho dessa abordagem em alguns momentos. O que só me dá mais certeza de que se tivessem pensado sobre isso um pouquinho mais teria saído um resultado muito massa.
 No geral, é um filme com fotografias bonitas, apesar disso não se destacar muito no meio dos outros aspectos na produção porque faltou um tiquinho de sensibilidade.

Calma, não é nessa hora não. É nessa cena, mas em outro momento.

ELENCO
 Juju Moore é a atriz principal e isso já mostra todo um amor. Sei que um monte tem ressalvas quanto à atuação dela (os turcos que o digam, né?), mas amo tudo que essa mulher faz, pode atuar em comercial de margarina que eu vou tá lá gritando que tá linda, maravilhosa, rainha. Mas, sério, tirando o lado fangirl, ela foi perfeita para o papel, atuou  divinamente e, não a toa, levou uma estatueta do Oscar pra casa.
 E aí tem a Kristen Stewart. Acho difícil dar uma opinião sobre ela porque apesar de ser a primeira na fila de pessoas que querem ser amigonas dela, a atuação não é lá essas coisas, né? Gosto de assistir aos filmes da KStew, mas a gente tem que combinar que ela provavelmente não entraria numa lista de 100 mil atrizes mais expressivas do mundo. Perdão, só que é assim mesmo.
 Seth Gilliam falou pouco, mas falou bonito. Literalmente porque ele só teve uma fala, mas me deixou com saudadezinha de Teen Wolf. Considerando que a Kate Bosworth tinha uma cara tão boçal que eu queria gritar “desce desse pedestal, miga!” toda vez que ela aparecia, acho que a atuação foi boa, né? Porque na vida ela tem cara de life goals mesmo.
 Não prestei muita atenção na atuação do Alec Baldwin porque em toda cena que ele aparecia eu só ficava pensando que a cabeça dele é gigantesca. Desculpa, fica pra próxima uma opinião mais concreta. Hunter Parrish foi ótimo em ser um cara bonito, já em mostrar uma gota de emoção enquanto a mãe relatava o drama de viver com Alzheimer nem tanto. 
 Tá ficando repetitivo eu falar em toda resenha que o filme é cheio de gente branca, hétero e magra, mas é sim. É impossível ignorar isso porque literalmente, fora o Seth (que já falei que participou de, no máximo, 2 minutos do filme) só tem gente dentro do padrão e arghhhhhh.

É sério. Comparem as cabeças dos dois. A dele é muito grande!

O FILME FOI FIEL AO LIVRO?
 É inútil querer que um filme seja igual ao livro que o inspirou. Nunca vai acontecer porque não tem como reproduzir todas as cenas e falas num longa que dura, no máximo, duas horas. Ficar bravo e achar que “estragaram” a história é um desperdício de tempo e de paciência. Ou seja, eu não assisti esperando isso.
 Algumas mudanças deram super certo e não poderiam ser melhores. Outras, no entanto, deixaram a desejar. O que mais me incomodou foi a forma que o arquivo Butterfly foi apresentado. No livro, o conteúdo dessa pasta fica em segredo até que Alice a abra, deixando um monte de dúvidas na cabeça do leitor. No filme, no entanto, ele é mostrado no mesmo momento em que ela cria. Fiquei procurando uma razão que impedisse a cena de ser mostrada na ordem do livro e não achei. Não ia ser mais caro, nem ia deixar o filme mais longo, nem nada. Da forma que mostraram o desenvolvimento do filme não foi prejudicado, mas mesmo assim não faria mal ter deixado do outro jeito.
 Em todas as consultas de Alice, o neurologista diz um nome e um endereço para testar se ela vai lembrá-lo. Fiquei agoniada porque mudaram isso aí também. Fui tão orgulhosa comemorar que tinha lembrado que era John Black e rua Oeste, mas eles mudaram para rua Washington. Achei frustrante, desculpa.
 A locação é diferente porque no livro é em Boston e no filme é em Nova York, mas isso é só questão de logística mesmo, então nem achei nada demais. Fora isso, achei super fiel porque, no geral, as mudanças foram bem pequenas e que não afetaram muita coisa. Se você gostou do livro, provavelmente vai gostar do filme também.


OPINIÃO FINAL
 Precisa falar mais depois de todos esses parágrafos analisando até as árvores que passavam no fundo das cenas? É lindíssimo, tem uma profundidade maravilhosa, um desenvolvimento lindo e parece muito com o livro. Fora isso só posso dizer que tá no Netflix e aconselhar você a ir assistir nesse exato minuto. Quatro estrelas.

Maravilhosa e premiada ❤


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