Laércio e suas Lolitas

Parem de romantizar Lolita. (É sobre pedofilia)
 Desde que a lista dos participantes da nova edição do BBB foi divulgada, saiu um relato que denunciava a pedofilia e o estupro de vulnerável cometidos por Laércio. Apesar de não ter se espalhado tanto quanto a gravidade da coisa merecia, muita gente ficou sabendo e já estava esperando uma posição da emissora quanto a tudo isso. Tudo que se recebeu foi silêncio.
 Depois, dentro do próprio programa, ele relatou que gostava de embebedar meninas para se aproveitar do estado delas. E isso caracteriza estupro. Por mais que as pessoas queiram acreditar que esse termo reflete apenas agressões físicas, diminuir a capacidade de resposta de alguém afim de aproveitar-se disso de forma sexual é, sim, uma forma de abuso. Ou seja, um cara confessou que estuprava garotas em rede nacional, mas adivinhem? Nada foi feito a respeito.
 Outra coisa que ele comentou foi que era adepto do poliamor. Um modo de relacionamento aberto que permite que os membros mantenham um envolvimento sexual e/ou afetivo com outras pessoas simultaneamente. E isso é super aceitável. Se todas as partes estão de acordo, não faz mal a ninguém. O problema é que ele falou sobre uma parceira de 17 anos. Com 36 anos de diferença, ele podia, facilmente, ser o pai da garota.
 Já falei aqui antes sobre pedofilia e sobre como funciona mais ou menos a cabeça de uma adolescente que quer aprovação do meio adulto e quer afirmar a independência que só existe em sua cabeça por meio de atitudes irracionais, mas acho que sempre vale a pena relembrar. Não existe isso de menina que é muito adulta pra sua idade ou de que amadureceu muito rápido. Existe alguém que mal tem condições de tomar as próprias decisões sendo abusada por uma pessoa que deveria entender que é errado.
 A emissora tentou justificar o caso de todas as formas. Desde uma tentativa de piada infame de Pedro Bial fazendo referência a Lolita, um livro que fala sobre uma garota de 12 anos que se relaciona com um homem de meia-idade e que também é infinitamente romantizado* como se fosse um simples ~caso de amor~, até o depoimento de uma advogada que disse, em rede nacional, com todas as palavras: “Pedofilia não é crime”.
 A internet fez uma campanha tão grande pra tirar o tal participante do reality (e conseguimos! YAY!) que a emissora ficou preocupada e levou uma advogada pra explicar a ~inocência~ do sujeito. Sem contar que, no começo da semana, Tiago Leifert, que é um apresentador da Globo, fez declarações parecidas no Twitter, indicando que não era crime coisíssima nenhuma.
 Mas, sinceramente, faz tanta diferença assim o que a Constituição diz? Ok, ótimo, bacana, beleza, está lá escrito que só é errado se o caso envolver menores de 14 anos, mas isso torna aceitável que um cara de 53 anos (CINQUENTA E TRÊS ANOS!) embebede garotas de 15 e as force em relações sexuais? 
 Li um negócio maravilhoso no Twitter, durante toda essa briga: Se a lei só fosse até 10 anos, isso tornaria aceitável o ~relacionamento~ entre um adulto e uma criança de 12 anos? Será que as pessoas têm tão pouco discernimento que são incapazes de entender que há absurdos que fogem do que é proposto por nossas leis, mas que continuam sendo tão horríveis e assustadores quanto o que está discriminado nelas?
 O que é mais perturbador de tudo isso é a veemência com a qual alguns defendem isso na internet. É tanta gente se posicionando a favor dele e tentando afirmar uma inocência inexistente que eu fico com medo do tipo de pensamento que está sendo espalhado por aí. Porque é, no mínimo, estranho que tanta gente ache interessante defender essa causa. Qual é o interesse que as pessoas têm nisso?
 Já deu pra notar que não vai mudar muita coisa agora que ele saiu do programa. Até agora só foi recebido com piadinhas de entrevistadores camaradas que acharam que tudo é muito engraçado e que ele é super moderninho e inovador. Se pedofilia for inovação, a Grécia Antiga é lançadora de tendências porque lá isso era muitíssimo frequente e era visto como algo totalmente legal. 
 Por causa desse tipo de posicionamento, realmente tem muitas Lolitas por aí. Que ouvem que meninas amadurecem mais rápido e que elas são tão maduras para a idade que só um cara que tem mais do dobro da idade delas é capaz de fazer jus ao que elas merecem. Mas não é apontando o dedo pra elas e as culpando que as coisas serão resolvidas.
 Quanto mais excluídas elas são, mais vão buscar apoio com esses homens que não têm caráter. São eles os errados. Não faz sentido acreditar que em um relacionamento de uma menina de 15 anos com um adulto que tem mais de 50 é dela a responsabilidade e a função de negar. As adolescentes agora têm a função de educar os adultos? Eles não sabem diferir o que é certo do que é errado?
 Por isso, para as Lolitas, só posso desejar que sejam acolhidas, aconselhadas e livradas das mãos dos Humbert Humberts que existem por aí. E, para eles, que a impunidade desapareça e que sejam finalmente vistos como o que são: os verdadeiros culpados.

*Romantizado pelo público porque o escritor já afirmou muitas vezes que não era um romance, mas uma denúncia. 
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4 comentários sobre “Laércio e suas Lolitas

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