As cores no filme Convergente

Preciso admitir que sou um pouquinho tendenciosa quando se trata da trilogia Divergente. Sou apaixonada pelos livros e tenho gostado dos filmes também. O que quer dizer que eu estava louca para assistir à adaptação cinematográfica de Convergente (o último livro) desde a semana passada, quando lançou nos cinemas.

 No geral, não gostei muito do filme. Achei que forçou um pouquinho além da conta o aspecto da ação e isso se torna meio cansativo, especialmente pra quem se interessa muito mais pelo aspecto social e político da coisa. Se você não está muito familiarizado com a história, é o seguinte: num futuro distópico, as pessoas estão divididas em grupos – denominados facções – de acordo com suas características predominantes. Mas existem aqueles que se encaixam em mais de uma dessas divisões, os divergentes.
 E a gente vai acompanhando a história da Tris, que é parte desse grupo de diferentões, enquanto ela tenta entender o sistema que rege a sociedade em que vive. Claro que ela acaba se rebelando e surge todo aquele negócio de lutar contra o poder. Tem quem ache que é parecido com Jogos Vorazes, tem quem ache que não tem muito a ver (sou parte do segundo time!), mas não é sobre isso que eu quero falar.

 Eu podia fazer uma resenha sobre o filme em geral e falar um pouquinho sobre as minhas impressões em relação à construção lindíssima dos personagens – que criam um papel tão linear que dá gosto de ver -, à essa repetição de dividir o último livro de uma saga em dois filmes ou ao roteiro em comparação ao livro, mas tem um aspecto que realmente chamou a minha atenção e que merece ser discutido: a direção de arte e, especialmente, as cores utilizadas.
 É o tipo de coisa sobre a qual é difícil de falar pra quem não assistiu ao filme porque você precisa ver pra entender as maravilhas de que estou falando. Sério. É incrível como a paleta de cores é perfeita e se encaixa com tudo, como se cada elemento estivesse milimetricamente posicionado para criar uma composição perfeita.
 Esse apelo visual é um diferencial em relação aos outros filmes da saga e só posso sentir muito por não terem usado essa ferramenta nas outras obras. A cor predominante é o laranja e dá pra notar isso em praticamente todos os frames. É arriscado porque por ser uma cor forte pode ficar muito esquisito, mas funcionou lindamente: é vibrante, é alegre, transmite calor, cria estímulos mentais e combina muito bem com o cenário pós-apocalíptico da vibe Mad Max que esse filme tem.

 Para complementar, como é visualmente lógico, também há bastante vermelho. Faz total sentido porque a cor representa a ação e o dinamismo, que tanto se encaixam à proposta desse filme. Ela transmite urgência e simboliza agilidade nessas cenas cheias de movimento e contrasta com o preto, normalmente presente nas vestimentas dos personagens e nas armas utilizadas.
 O preto tem uma simbologia bem popular e é fácil elencar alguns dos seus sentidos, mesmo pra quem não é muito ligado a esse tipo de linguagem. Ele é associado à força, à formalidade e ao misterioso. Além disso, passa uma sobriedade e ativa densas memórias emocionais sendo uma escolha maravilhosa para se relacionar a esses aspectos de batalha.

 Outra cor que é marcante é o branco, mas essa é utilizada de uma forma diferente. Estamos falando do futuro, então há uma grande preocupação com criar essa atmosfera futurista e promover a sensação real de que o que estamos vendo é resultado de uma gigantesca evolução tecnológica.
 Não quero entrar no aspecto desses avanços porque é difícil avaliar até que ponto são coerentes ou não, mas o uso de cores mais neutras, que contrastam com os tons alaranjados do resto da paleta, foram fundamentais para a criação dessa sensação.
 Além de transmitir um ar maior de impessoalidade e de valorizar o espaço do ambiente, essa presença do branco passa uma noção muito forte de inovação e elegância. Foi uma jogada de mestre apelar para algo tão sensorial quando se trata de um filme com tantas cenas de ação.
 É tanta coisa pegando fogo, tanta gente sendo esmurrada, tanto tiro que se não fosse por esse aspecto mais perceptual, que cria toda uma simbologia que atinge diretamente nosso subconsciente, o filme se tornaria (ainda mais) cansativo.

 Se você gostou dos filmes anteriores, provavelmente vale a pena ver esse também. Não é uma maravilha cinematográfica, mas tem umas cenas legais, uns diálogos interessantes e, claro, essa bendita direção de arte pela qual fiquei completamente apaixonada. Se os outros não fizeram o seu gosto, no entanto, esse dificilmente fará porque foi bem mais fraco e lento – no sentido de evolução da trama mesmo porque, como já mencionei, ação tem bastante -, mas você ainda pode dar pelo menos uma olhadinha no trailer pra compreender essa belezura. Porém, aviso desde já: é desses trailers que revelam tudo. Tem spoiler não só dos filmes anteriores, como também desse, então assista por sua conta e risco.
 Pra não perder o costume, eis minha nota: Duas estrelas e meia. Dava pra ter esperado entrar no catálogo da Netflix? Provavelmente. Teve uma hora que tava tão arrastado que eu literalmente cochilei? Talvez. Mas ainda foi uma experiência interessante ver essa fotografia que me encantou numa tela de cinema.
 Agora resta esperar pelo último filme e, considerando o oceano de lágrimas que derramei lendo o livro, o choro que ele trará. Quem sabe esse vai ter a combinação de roteiro sensacional com fotografia maravilinda? Cruzem os dedos. Hasta luego, muchachos.
Só repetindo o aviso: Tem um monte de spoilers do filme nesse vídeo.
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