O mito da falta de tempo

capa o mito da falta de tempo

 Faz muito muito muito tempo que eu não faço um desses posts pessoais aleatórios para simplesmente falar sobre coisas da vida. O último que escrevi nesse estilo foi o da retrospectiva de 2015 e mesmo assim não foi lá essas coisas. Por isso, aqui estou: Prontíssima para abrir meu coração e falar umas coisas sem sentido.

 Há um mês e meio comecei a fazer um estágio. É louco e incrível estar realmente dentro do jornalismo e me faz ter certeza de que estou no curso certo. Mas, por mais maravilhoso que seja, são seis horas do meu dia. Trinta horas por semana, cento e cinquenta horas por mês. Pra quem tem uma carga horária maior e está nesse ritmo há mais tempo deve soar normal, mas, para mim, que sempre falei que não tinha tempo pra nada, é uma loucura.

 Eu, que sempre disse que não mantinha as séries atualizadas nem assistia às indicações dos meus amigos por falta de tempo. A desculpa era universal. Por que eu não estudava tanto quanto considerava ideal? Por falta de tempo. Por que não atualizava o blog e o canal com frequência? Por falta de tempo. Por que meu ritmo de leitura tinha diminuído? Olha que loucura: Por falta de tempo.

 É uma coisa tão simples e tão facilmente aceita que a gente acaba tomando por verdade. Mesmo assim, na maioria das vezes, não é a real causa. Eu sou totalmente a favor do momento da procrastinação e do direito de não ser produtivo o tempo todo. Realmente acredito que nada deve vir acima da sua saúde mental e que o lazer é essencial. Mas, às vezes, a gente exagera.

 De vez em quando, eu paro e fico pensando em que eu investia meu tempo. Porque não é humanamente possível que alguém que tinha que gastar apenas 3 horas do dia na faculdade vivesse com uma agenda tão apertada assim. E tanto para os deveres quanto para o lazer. Não faz o menor sentido.

 Provavelmente o que me impedia de conseguir realizar essas funções que nem eram tão complexas assim era a falta de rotina. E quando eu falo de rotina, não quero dizer ter cada segundo da vida cronometrado e não se permitir fazer algo diferente, não me entenda mal. Falo de seguir uma organização básica para tentar dividir mais ou menos o seu tempo entre as coisas que você precisa fazer.

 Nas primeiras semanas do estágio, eu acordava 40 minutos antes da hora que tinha que sair. Era o suficiente para passar 10 minutos deitada olhando pro teto e a outra meia hora realmente ficando pronta. Mas isso queria dizer que o meu dia só começava verdadeiramente às 16h, quando eu voltava de lá. Aí eram 3 horas livres para fazer o que eu quisesse e mais 3 que eu passava na faculdade.

 Por isso, decidi passar a acordar mais cedo. Não que agora eu esteja de pé 4 e meia da manhã, é só um pouquinho a mais de tempo. O suficiente para ler um livro, arrumar o meu quarto ou assistir a uns vídeos no YouTube, por exemplo. Não é nada estrambólico, mas me ajuda a dividir melhor o meu tempo e faz com que o meu dia renda mais.

 As séries continuam desatualizadas, mas pelo menos tenho lido mais, tenho atualizado (mais ou menos, vai!) o blog, tenho gravado vídeos e até estou desenvolvendo o mágico hábito de fazer os trabalhos acadêmicos com certa antecedência. Não é preciso ser a Monica Geller para fazer o seu dia render. É só um esforcinho mínimo que acaba sendo muito gratificante.

 É totalmente aceitável se permitir ficar encarando o teto e refletindo sobre qual tipo de apocalipse seria mais interessante (o zumbi não, por favor), mas dá para balancear esses momentos com a realização das coisas que você tem para fazer, sem esperar que esteja em cima da hora e você tenha que trabalhar sobre pressão.

 Aliás, uma coisa que eu sempre falei foi que funcionava melhor sob pressão. Mas o fato é que eu só me dignava a ir lá e realmente fazer as coisas quando faltava o mínimo tempo possível para o prazo final. Ou seja: eu só tentava fazer as coisas sob pressão. Não tinha como eu saber se funcionaria em qualquer outra situação.

 É outra frase que a gente ouve o tempo todo e que simplesmente passa a aplicar como se fosse verdade absoluta. Mas, como diria meu amigão Sartre, cada indivíduo molda a própria verdade e não existe uma que se sobreponha e que se aplique a absolutamente todos os casos.

 Por isso, vale a pena repensar a forma que você gasta o seu tempo. Não há determinações ou fórmulas que sejam eficientes o suficiente, é preciso pensar em algo que atenda às suas necessidades. Pode ser um bullet journal, um cronograma, um esquema mental. Qualquer coisa que funcione para fazer com que você distribua melhor suas atividades e garanta que vai conseguir ter mais momentos de lazer.

 É um processo de adequação constante. Dá pra ir testando várias formas e descobrindo o que funciona pra você. O que não dá, de forma nenhuma, é pra ficar usando essa desculpa besta de que você não tem tempo.

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