Carta de amor a Stranger Things

capa stranger things Se você tem acesso à internet e possui um perfil em qualquer rede social, é possível que tenha visto que, neste fim de semana, todo mundo ficou obcecado por Stranger Things, o novo seriado da Netflix.

 A única coisa que eu sabia quando comecei a assistir foi que a Winona Ryder fazia parte do elenco. E, acredite, essa é uma razão boa o suficiente. Ela está em Edward Mãos de Tesoura, Cisne Negro e em Garota, Interrompida (além de uma infinidade de outros filmes) e consegue ser maravilhosa e apaixonante em cada um deles. Juro.

 Aí, meio que sem saber de muita coisa, comecei a assistir e simplesmente foi impossível parar. Impossível. A trama, o elenco, o desenvolvimento dos fatos, tudo parece milimetricamente planejado para que você se envolva imensamente.

ENREDO

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Will (o da direita) é a coisinha mais fofinha do mundo, nhonhonho.

 Tudo começa quando Will, um garoto de doze anos, desaparece misteriosamente. Literalmente desaparece. Puf. Some. Como a cidade era minúscula e super pacífica, é lógico que isso causa um alvoroço gigantesco e vários grupos de busca são montados para procurar esse menino e entender o que aconteceu. Somado a isso, surge Eleven, uma menina com habilidades psíquicas que está sendo usada em experimentos do governo, mas que consegue fugir do laboratório onde era estudada.

 A trama é muito parecida com a de várias obras clássicas, mas o desenvolvimento da narrativa e a presença de vários acontecimentos paralelos dão ao seriado um aspecto totalmente diferente. Ao mesmo tempo em que vemos o desenrolar dessa busca, acompanhamos o romance complicado da Nancy – que é garota certinha, filha de pais super protetores e péssima em quebrar regras – e o Steve Harrington – o garoto super popular e cobiçado -, tentamos descobrir mais sobre a vida da Eleven e conhecemos mais sobre cada um dos personagens.

DESENVOLVIMENTO

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 A minha coisa favorita sobre esse seriado é como o desenvolvimento da narrativa acontece de modo gradativo. Tanto em relação ao mistério principal em torno do qual a história se desenrola, quanto ao que diz respeito aos personagens, nós vamos aos pouquinhos entendendo tudo o que está acontecendo. Sou meio suspeita pra falar porque amo esse modelo de narração de ir mostrando em etapas as informações, invés de apresentar tudo de vez ao espectador, mas é impossível imaginar essa trama acontecendo de qualquer outra forma.

 Em relação às pistas da investigação, especialmente, isso é essencial e instiga o espectador a ir juntando as informações para buscar solucionar o mistério. Além disso, é interessante porque existem, basicamente, quatro grupos de pesquisa: o da mãe, o dos amigos, o do irmão e o dos policiais. Assim, são apresentadas quatro buscas diferentes que seguem pistas distintas, mas que têm, logicamente, o mesmo objetivo.

 Por meio dos flashbacks, é possível notar essa forma de desenvolvimento também na construção da personalidade dos personagens. Essas cenas são sempre desencadeadas por algum elemento em comum com o passado que está presente na cena atual, mais um aspecto narrativo muito interessante dos maravilhosos Duffer Brothers.

 Os dois até contaram que o seriado foi criado como um “filme dividido em oito partes”, por isso, funciona muito bem para quem for maratonar. Além disso, por ter sido criado como um filme, tem um estilo narrativo diferente. Quando o roteiro é criado no modo clássico de séries, o que desperta o interesse em quem assiste é normalmente o fato de que os episódios terminam em um cliffhanger*. Nesse caso, no entanto, esse envolvimento é promovido por como as pistas vão sendo descobertas e despertando várias dúvidas.

REFERÊNCIAS

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Parece ou não parece uma cena de Geeks and Freaks?

 Outra coisa muito interessante é como a série trabalha com referências a fenômenos clássicos dos anos 80, período no qual a história acontece. O grupo de amigos que protagonizam grande parte das cenas tem como hobby jogar Dungeons & Dragons, por exemplo. Além disso, eles fazem menções a Star Wars, Senhor dos Anéis, Poltergeist e a vários outros elementos da cultura da década.

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A semelhança pode ser percebida na distribuição dos elementos e nas cores que foram usadas.

E a influência não acontece só de forma direta. O próprio cartaz da série é uma versão dos posteres de Star Wars e, não a toa, os produtores descreveram o seriado como uma “carta de amor aos filmes dos anos 80”. A Eleven e, especialmente a relação que ela estabelece com os meninos, tem uma forte influência de E.T., o grupo de amigos é baseado nos personagens de Conta Comigo e de Os Goonies, alguns aspectos da narrativa lembram It e Tubarão e tem até uma cena que parece muito com O Labirinto do Fauno.

ELENCO

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Amor pra uma vida todinha ❤

 Vocês vão ter que me perdoar, mas preciso mencionar de novo o meu amor pela maravilhosa Winona Ryder. A atuação dela enquanto mãe do Will fez com que eu me apaixonasse mais uma vez. A forma que ela retrata o desespero e que vai enlouquecendo aos poucos com os sinais paranormais que recebe do filho é absurdamente incrível.

 Mas, por incrível que pareça, ela não é o ponto alto da atuação. Quem realmente me surpreendeu imensamente e me deixou boquiaberta foi a Millie Bobby Brown, que faz a Eleven. Mano do céu. O desenvolvimento da personagem dela é lindo e a forma como ela usa o corpo e as expressões faciais para demonstrar isso é genial.

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Claramente o ser humano mais fofinho do universo inteiro.

 Todo o elenco infantil é maravilhoso, para ser sincera. O envolvimento que eles conseguem demonstrar e a forma como a amizade que têm é retratada é muito fofinho e dá vontade de adotar todos de uma vez só.

 Também fiquei encantada por como o elenco de adolescentes faz parecer que algumas cenas foram tiradas desses sitcons antigos. Eles foram uma parte essencial para criar essa atmosfera de homenagem à década de 80 que foi tão importante pra toda a história.

AVALIAÇÃO FINAL

stranger things1 Se esse seriado é uma carta de amor aos filmes dos anos 80, esse post é uma carta de amor a ele. Eu juro que queria ser menos fangirl, juro que queria falar seriamente, mas não dá. Tudo é tão perfeito e maravilhosamente arquitetado que só dá pra sentir um quentinho no coração e recomendar que o universo inteiro assista.

 Fazia um tempão que eu não sentia vontade de maratonar uma série inteira, então é prova de que o amor que Stranger Things despertou no meu coração é coisa seríssima. Precisa nem falar que tem cinco estrelas, né? Uma constelação inteira de amor puríssimo. Para finalizar, só posso dar o melhor conselho que eu consigo pensar: Vão assistir. Só isso mesmo. Beijo, tchau.

*Aquelas cenas tensas que fazem com que você fique curioso para saber a continuação.

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3 comentários sobre “Carta de amor a Stranger Things

  1. Vinicius Pacheco disse:

    To amando muito! Também notei a questão das pistas que te levam de um episódio para outro e achei super dinâmico. Adoro quando são colocados vários pontos de vista! ( Como no modo em que um mesmo fato influencia de forma diferente cada grupo de busca. )
    Teu texto só me deu mais curiosidade pra terminar logo! ❤

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