Ode aos quase escritores

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 Eu não faço ideia de quando comecei a esboçar a minha primeira história. Imagino que fosse sobre algum grupo de amigos e que se passava num colégio porque esse era o meu tema favorito, mas também não posso garantir. Só sei que não consigo me lembrar de algum momento da minha vida em que não tivesse uma pasta no computador com alguns rabiscos meus que, infelizmente, nunca chegaram a ser finalizados.

 Esse é o meu carma. Nessa minha vida de projeto de escritora, poucas coisas foram realmente finalizadas. O máximo que eu consigo me lembrar é de um conto e umas fanfics. Cheguei até a escrever mais de quarenta páginas de um livro, mas, eventualmente, deixei para lá. Não sei que fenômeno é esse, só sei que começo super animada com a ideia e escrevo várias páginas por dia, até que, misteriosamente, perco o interesse.

 Não consigo imaginar uma forma de continuar e deixo por isso mesmo. Fecho o documento e só vou voltar a mexer anos depois. E esse nem é o meu único trauma nessa jornada de tentativa de escrever. Também tem o fato de que eu morro de medo de que as pessoas leiam o que eu escrevo. Morro de medo.

 Se você acompanhou o momento em que eu finalmente falei da existência desse blog para o mundo, talvez lembre que eu mencionei o quanto postar sobre ele em uma rede social era um grande passo para mim. E foi. Um do qual me orgulho até hoje e que me deixou muito feliz porque tive uma receptividade surpreendente e maravilhosa. Apesar disso, ainda fico muito tensa com escritos mais pessoais e, especialmente, com ficção.

 Por isso, resolvi aproveitar que hoje é o dia nacional do escritor e parabenizar não só as J.K. Rowlings e os Edgar Allan Poes, mas também os que ficam só na vontade. Que escrevem várias páginas e depois excluem o documento por insegurança, que abandonam seus personagens no meio de uma ação, de uma forma que beiraria a crueldade,  não fosse o fato de que isso só acontece por um medo excessivo de não dar a eles o destino que merecem.

 Feliz dia do escritor para quem sequer assume o título, mas reconhece as maravilhas proporcionadas pela experiência catártica de transformar sentimentos complexos em palavras. Que os nossos quase-livros, quase-contos, quase-qualquer coisa possam se concretizar e que a gente aprenda, finalmente, a deixar de lado o medo de encarar as opiniões alheias.

  Que, mesmo que seja em segredo, mesmo que seja em um documento fechado ou em um diário embaixo da cama, nunca paremos de escrever. E que, mesmo se, por algum acaso, tivermos uma legião de fãs ou nos depararmos com um enorme bloqueio de escrita, jamais sejamos capaz de esquecer que o que realmente importa é a magia que envolve todo o processo. Magia essa que, às vezes, é dolorosa e envolve um punhado de lágrimas, mas que sempre compensa.

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3 comentários sobre “Ode aos quase escritores

  1. Katharynny disse:

    Te dizer o que tá faltando pra você, guarde isso e ponha em prática e nunca mais nenhum projeto seu ficará pela metade: PLANEJAMENTO. Escreva a outline da sua história, faça um esqueleto, resuma o que acontece em cada capítulo e a partir disso descubra quem são suas personagens, faça fichas delas, diga a si mesma quem vai viver aquele mundo que você criou. Depois de planejar tudo isso cautelosamente, faça pesquisas sobre o lugar ou tema central da sua história. Aí sim, você começa a escrever e pronto, só ir acompanhando seu próprio raciocínio a partir do seu planejamento, fazendo as mudanças que quer e vendo seu “bebê” ganhar forma. Você só começa a escrever aleatoriamente por isso desiste. Peça a alguém pra ler o que você escreve, alguém que você confia pra ter uma opinião diferente, esse medo é normal. O seu namorado pode ajudar. E eu estou aqui sempre que quiser. Escrever é fascinante, aposte nisso!
    Beijocas!

    Curtir

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