Arquivo S: Esquadrão Suicida

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Isso não é uma resenha. Ou, pelo menos, não no formato em que eu costumo fazer, analisando cada aspecto do filme. Não tem spoilers também, então tá tudo bem, caso você ainda vá assistir. O que acontece é que eu fui ao cinema assistir Esquadrão Suicida já pensando em prestar atenção em tudo para fazer um textão porque eu estava absurdamente ansiosa desde o segundo que divulgaram que esse filme iria acontecer. Então, mesmo que fosse uma enorme decepção (como foi pra grande parte da internet), eu queria falar e chorar e tudo mais.

Mas, o problema, o grande problema, o maior problema de todos, é que até agora eu não tenho uma opinião formada sobre esse filme. Posso dizer com certeza que a Margot Robbie está maravilhosa, que o Jared Leto continua sendo um cocô de bosta e que a trilha sonora está sensacional, sem dúvidas. Também posso adiantar que os efeitos especiais estão lindíssimos e que eles arriscaram tremendamente num formato bem diferente de desenvolver a trama, especialmente se levarmos em consideração os filmes de super-herói.  Só que, mesmo assim, parece que fica faltando alguma coisa.

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Então, vamos começar do princípio para ver se eu consigo arquitetar os meus sentimentos em relação a tudo isso. O Esquadrão Suicida – que intitula o filme – é basicamente um grupo formado por alguns vilões que vão trabalhar para o governo tendo que enfrentar missões que são praticamente impossíveis. A trama parte daquele final de Batman Vs Superman (que não vou contar, mas é aquilo lá, sabe?), caso você queira se situar temporalmente.

Para contextualizar tudo, a gente tem, de cara, uma explicação rápida de quem são esses vilões, o que eles fazem e como eles estão no momento, de uma forma meio superficial. Não sei se por causa do roteiro, da direção ou da necessidade de cortar algumas cenas para não fazer o filme ficar longo, mas ficou tudo parecendo muito solto. São várias cenas, sem muita ligação entre elas, que são responsáveis por fazer essa apresentação para o público.

A partir daí, já pula para o Esquadrão em si em uma bela demonstração de como o governo pode ser manipulador e horroroso quando tenta fazer alguma coisa. Essa foi outra coisa, inclusive, que achei muito rápida. É de se imaginar que formar uma equipe com alguns dos maiores vilões (incluindo a Arlequina, o Pistoleiro e o El Diablo, por exemplo) seja algo que demanda um certo esforço e que precisa de todo um trabalho para acontecer. Senti falta de uma exploração maior desse processo, fica meio sem explicação, muito fácil, muito rápido, muito vago.

Falando em ser vago, o próprio desenvolvimento da relação entre esses personagens deixou muito a desejar. Ficou meio forçado porque eles não deram uma atenção maior a essa integração entre eles. Acabou que tudo pareceu meio automático, sem muito envolvimento emocional de verdade.

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Curiosamente, uma coisa que me surpreendeu positivamente foi a representação da Arlequina. É lógico, óbvio, evidente que ela foi muito sexualizada. Isso me parte o coração porque eles realmente pegaram uma personagem que é muito inteligente e absurdamente envolvente e transformaram num objeto sexual. Não estou negando tudo isso e jamais faria. Mas, dentro do filme, misturado a tudo, foi menos pior do que eu imaginei. Dá um nojo, uma vontade de atirar na própria cabeça, uma tontura de tanto que você revira os olhos, mas a Margot Robbie ainda conseguiu entregar a personagem que eu esperava.

E já que estamos falando em Margot e em Arlequina, temos que mencionar o famigerado relacionamento dela com o Coringa. Acho que já mencionei isso em algum vídeo, mas o Coringa é o meu vilão favorito desde sempre. É um personagem muito bem construído, com um desenvolvimento maravilhoso e que sempre prendeu muito a minha atenção. Mas, reconhecer quão incrível ele é, enquanto personagem, não é acreditar em quem ele representaria enquanto pessoa.

Assim: O Coringa foi muito bem escrito. Mesmo que você não goste dele, não dá para negar que, enquanto produto de escrita, ele é genial. Apesar disso, se ele fosse uma pessoa real e você o encontrasse, enquanto atravessava a rua, eu só poderia aconselhar uma coisa: corra. E chame a polícia depois, se possível. Ele é o maior idiota da história do universo, é cruel, é sanguinário, é incapaz de desenvolver um relacionamento que não esteja baseado na noção de posse e de interesse.

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Acredito que nem preciso falar aqui que não há nada de saudável no relacionamento que ele tem com a Arlequina. Nada. Ela é tratada como uma propriedade, é humilhada, é violentada – física e psicologicamente -, é inferiorizada, invisibilizada. Ela perdeu tudo por ele. Era uma psiquiatra incrível e absurdamente inteligente e abriu mão de tudo isso para servir de capacho dele, com a cabeça desgraçada pelo resto da existência.

Por isso, ver as cenas dos dois é nojento e me deixou realmente agoniada. Eles de mãos dadas, se beijando, agindo como se fossem o casal mais incrível do mundo, é tudo realmente muito perturbador. Por outro lado, meu irmão falou uma coisa muito sábia: é assim que ela vê o relacionamento que eles têm.

O filme mostra tudo que ele fez, como sempre a tratou e todos os absurdos, mas também os mostra juntos porque é justamente assim que a Arlequina encara tudo aquilo. Ela consegue ver a forma que sempre foi tratada, mas vê como se fosse uma prova de amor e algo que ela tivesse que aguentar se quiser manter esse relacionamento que tanto preza. Aí, fica ao seu critério encarar isso como romantização ou não. De toda forma, é uma representação perfeita do que é um relacionamento abusivo. Ela sofre e é colocada para baixo, mas ele continua sendo tratado como se fosse o centro do universo.

No fim das contas, é um filme aceitável. Não é incrível, mas também acho exagero sair prometendo que vai processar a Warner. É legalzinho, dá pra ter uma noção mais ou menos de quem são os personagens para quem não está muito familiarizado e parece que vai servir de elo para construir esse universo cinematográfico que a DC tá lançando. E, claro, tem a Viola Davis sendo maravilhosa, então já é um bom motivo para você assistir. Resta esperar pra ver o que mais vai vir por aí para que a gente possa falar mal (ou bem), com propriedade. Duas estrelas e meia.

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