O amor da minha vida era só um cara

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“Como é que eu vou encontrar outro você?” spoiler: não é tão difícil assim.

 Durante a minha adolescência, eu só me apaixonei uma vez. Essa paixão durou uns bons e longos anos, mas nunca deu em nada de verdade. Eu até conversava com ele de vez em quando no MSN, até trocava umas palavrinhas de nada no corredor do colégio, mas era só isso. Mesmo assim, eu era incapaz de citar qualquer ser humano mais merecedor do meu amor verdadeiro e eterno do que aquele garoto. Ele era tão bonito, tão inteligente, tão engraçado, tão, tão, tão.

 Como o planeta Terra, por mais que finja que não, é muito pequeno, a gente hoje estuda na mesma faculdade e volta e meia se esbarra. E só agora, longe de toda a loucura que os nossos hormônios adolescentes causam, eu posso perceber que ele é só um cara. A gente nunca teve nada em comum. Ele nunca foi tão gentil. Nem tão inteligente. Nem bom de conversa. Nem nada. Ele era um cara, assim como qualquer cara.

 Não quero ser injusta e fingir que nunca senti nada por ele. Não é isso. Por mais que, pra mim, ele, agora, seja só um cara, pra alguém ele vai realmente ser da forma que eu via quando tinha 14 anos. Pra alguém, ele vai ser tão divertido, tão maravilhoso e tão encantador quando já foi aos meus olhos.

  Mas, na real, ele sempre foi um cara. E essa foi uma revelação chocante. Tanto tempo que eu dediquei para escrever longos textos de amor pra ele no Tumblr e ele era só um cara. Não era o amor da minha vida, nunca vai ter três filhos comigo e jamais passará férias nas Bahamas ao meu lado. É absurdo e incrível, ao mesmo tempo, notar como a nossa mente é manipulada pelo que a gente quer sentir.

 No alto da minha experiência amorosa adolescente, aquilo era a forma mais pura de amor. Aquilo ali era o ápice, até onde vai o amor humano. E, no fim das contas, nem era. Não era nada mais que uma paixãozinha que eu dramatizei, como a gente sempre faz com toda e qualquer experiência que acontece durante a adolescência.

 Então, isso é um tributo a todos os amores das nossas vidas que acabaram se transformando em apenas caras. Em caras que hoje a gente nem vai necessariamente cumprimentar, se acabar encontrando na rua. Não por mágoa ou por qualquer tipo de ressentimento, só porque a vida tem dessas. Em caras que, mesmo não sendo nossos amores de verdades, nos ensinaram mesmo que um pouquinho sobre esse sentimento. Nos ensinaram que nada é tão preto no branco quanto parece, por exemplo. Que um dia a pessoa que você tanto idealiza se mostra só isso mesmo: um alvo para as suas idealizações.

 É possível que você tenha um cara assim na sua vida. É possível que você seja um cara assim na vida de alguém. E não há nada errado em ser só um cara. É só uma coisa que você é, uma revelação que é feita de repente. A beleza disso é que todo cara é só um cara até que alguém o vê como mais que isso. Não porque queria sentir, nem porque imaginou um sentimento, mas porque é de verdade.

 Felizmente, o amor da sua vida é só um cara para a vida de alguém. E isso só prova quão maravilhoso o universo é. A gente tem esse poder mágico de transformar caras em amores e amores em caras e nada é tão simples quanto parece. E ainda bem, porque essa pluralidade é a coisa mais linda que poderia existir.

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