Crises existenciais e um projeto muito louco #1

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Esse ano tem sido uma grande e assustadora crise existencial. É um sentimento que parece passageiro, mas que, volta e meia, garante que eu não esqueça que ele continua aqui. Por um tempo, eu até consegui ser a pessoa produtiva que luto tanto para ser, mas, na maior parte dele, foi só uma grande massa cinzenta de ansiedade e desordem.

Eu não sei se é uma sensação intensificada pela proximidade dos 20 e da famigerada crise existencial que essa idade parece ter o hábito de carregar. Na real, eu acho que tem muito mais a ver com o fato de que eu tenho estado em crise desde sempre. Sou neurótica demais pra não encher o universo de questões existenciais e dúvidas que nem fazem muito sentido. Acontece.

Em meio a bagunça em que tenho estado, algumas coisas legais aconteceram. Conheci umas pessoas, ouvi umas coisas e talvez esteja voltando a sentir algo que me conforta muito: a noção de que eu sei onde quero chegar.

No último ano, as coisas estavam meio incertas. Eu, que sempre tive cada passo da vida planejado, me vi meio perdida. Felizmente, tenho retomado o caminho aos pouquinhos, um passo de cada vez, sem muita pressa. É difícil viver na dicotomia de querer controlar cada segundo da vida e desejar aproveitar a jornada.

Não acho que a crise seja uma exclusividade minha. Não sou megalomaníaca a esse ponto. Para ser sincera, eu acharia mais estranho encontrar alguém que tem levado tudo com leveza, sem se assustar nem um pouquinho. Tem muita coisa acontecendo: muitas informações, muitas cobranças. Isso cai sobre todo mundo. É um conforto meio torto, mas dá pro gasto.

O engraçado é que a gente se acostuma. É mais fácil empurrar tudo com a barriga e permanecer na zona de conforto. Tá tudo uma bagunça? Ok, a gente aguenta. Tá difícil encontrar uma direção? Acontece, sem problemas. É quase automático disfarçar a preguiça de fazer alguma coisa com o mantra que estampa livros de autoajuda: Tá todo mundo assim. É o mal da geração. Não adianta fugir. Relaxa.

Eu sou a favor de relaxar, não me entenda mal. Por mais que eu tenha uma certa dificuldade em aplicar isso na minha vida, vivo falando sobre a importância da saúde mental. É importante ter um tempinho pra si, respirar, fugir da rotina. Faz bem pra o seu corpo e para sua mente. Mas quem disse que ignorar os problemas é a mesma coisa que relaxar? Quem disse que levar as coisas com leveza é sinônimo não se mover?

Há mais de um mês eu fiz um rascunho para esse post. Nele, eu menti um pouco e disfarcei as coisas porque a realidade me deixa meio vulnerável. Eu não sou muito boa em admitir esse tipo de sentimento e pior ainda quando isso está acontecendo em plena internet. No entanto, é quase metalinguístico que ele não tenha saído do rascunho.

Nesse post, eu falava sobre um projeto que estou idealizando há uma eternidade: postar por 365 dias. No entanto, só de digitar essas palavras, eu consigo ouvir uma vozinha na minha cabeça apostando quanto tempo isso vai durar. Vocês já me viram tentar fazer esse tipo de coisa antes. Nunca foi pra frente.

Mesmo assim, quero provar que eu estou errada. O máximo que pode acontecer é somar essa a uma série de infinitas vergonhas que já passei na interwebs. Acho que sobrevivo. Ou pelo menos espero.

Então, é isso. Hoje, dez de julho de 2017, começo mais uma das milhares de fases que já vivi nesse mundo digital. E, como todas as outras, ela tem uma característica gritante: eu não faço ideia do que to fazendo.

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2 comentários sobre “Crises existenciais e um projeto muito louco #1

  1. Carol Carvalho disse:

    Engraçado que me identifiquei com tudo o que li! Deve ser essa tal crise dos 20 e poucos anos mesmo! Comecei esse blog por causa das várias crises existenciais que ando tendo e quero ver onde chego também! Então, fica aqui meu incentivo! Keep going! 😊😊

    Curtido por 1 pessoa

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