Você já se sentiu uma fraude? #7

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Tenho pensado bastante sobre a tal Síndrome do Impostor. Aquela sensaçãozinha incômoda de que você não merece de verdade aquilo, sabe? O tema tem sido tão debatido recentemente que fica óbvio que todo mundo surta por esse tipo de coisa de vez em quando. Todo mundo fica apavorado com a possibilidade de que as outras pessoas descubram que, no fim das contas, somos apenas fraudes.

Que escândalo seria se descobrissem que você não é tão boa, tão inteligente, tão habilidosa ou tão qualquer outra coisa quanto pensam? De que valem os elogios alheios, se, no fundo, você sequer acha que merece eles de verdade? Tem muita gente mais esperta no mundo. Gente que além de fazer o que você faz (seja lá o que for), sabe jogar golfe. Ou falar italiano. Ou tocar um instrumento. Ou qualquer outra coisa que você não saiba também. Pior: Tem gente fazendo o que você faz, enquanto enfrenta uma situação difícil.

Gente que acabou de passar por um divórcio. Gente que tem alguém doente na família. Gente que trabalha dois turnos sem parar. Todo tipo de gente vivendo em cenários mais complexos, mais perturbados, mais qualquer coisa. Sem dúvidas essas pessoas merecem bem mais reconhecimento que você. Merecem essa promoção, esses elogios, esse aumento, o que quer que você esteja ganhando como recompensa por ter feito algo que alguém poderia fazer melhor. No final das contas, você só estava na hora certa e no lugar certo, não é nada para se vangloriar.

É um sentimento horrível e assustador que te para e te impede de fazer outras coisas. Com o tempo, acaba virando uma bola de neve: De tanto medo de decepcionar os outros e de não ser aquilo que imaginam, você vai se podando, colocando limitações, se impedindo de crescer. Ninguém quer lidar com os olhares de reprovação alheios, cheios da certeza de que você não era tudo que imaginavam. Por isso, é mais fácil aceitar o título de inutilidade e evitar situações desse tipo.

No fundo, isso é uma grande bobagem. Uma armadilha que o nosso cérebro prega, juntando a falta de confiança com o medo de errar. E daí se foi um golpe de sorte? Outras 7 bilhões de pessoas poderiam ter tido a mesma oportunidade, mas foi você que a abraçou. Quem disse que isso é menos incrível?

É claro que alguém poderia estar ocupando a mesma posição que você, mas isso se aplica a literalmente todo mundo. Outras pessoas poderiam acabar na Presidência ou na direção de empresas multinacionais. É óbvio, não há nenhum mistério nisso. Isso não quer dizer que seja algum crime que você esteja no local que conquistou. Seja lá como isso aconteceu.

A comparação, apesar de nociva, é inevitável. Abraçamos os “e se” com tanta força, que de vez em quando, eles tomam todo o espaço existente. É normal, acontece. No entanto, não dá pra parar a vida e deixar de fazer as coisas por medo de decepcionar os outros. Ninguém agrada a todo mundo. Tá tudo bem.

Abrace as suas conquistas e reconheça seu mérito. Não importa se foi a sorte, o Universo ou alguma força mágica que te transportou para essa posição, o que importa é que ela é sua. Se foi algo místico, que sorte. Pior seria ter uma inimizade cósmica.

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