Existe fórmula para vencer o ciúme? #9

ciumes

Eu sempre fui muito ciumenta. Com meus amigos, meus familiares, qualquer um. Na minha cabeça, era algo completamente ~natural~ e uma espécie de demonstração de amor e de preocupação. Por isso, foi meio estranho quando eu comecei a ter mais contato com o feminismo e vi pessoas criticando a existência desse sentimento. Demorou um tempo até que eu conseguisse ver algum sentido nisso e hoje não consigo me lembrar de como era pensar de outra forma. No entanto, isso não quer dizer que abandonar os ciúmes seja uma tarefa fácil. De forma nenhuma.

Meu primeiro instinto foi afastar qualquer faísca disso. Enquanto eu reafirma que era nocivo e egoísta da minha parte, era fácil fingir. Adotei a postura despreocupada de quem era sabida demais para se deixar levar por algo tão bobinho. “É só uma construção social”, eu repetia. “Não tem nada a ver”, reafirmava. Mas não é tão simples assim.

Uma vez eu fui conversar com uma amiga do meu namorado de quem eu tinha ciúmes. Aproveitei o fato de que ela era feminista e falei exatamente o que sentia. Para minha sorte, a partir daí, começamos a conversar e descobrimos outras coisas em comum. No entanto, nem isso me deu a fórmula mágica para parar de me importar instantaneamente. Vez ou outra, eu ainda me pegava enumerando inseguranças no que dizia respeito a ela.

Me lembrei disso quando assisti ao vídeo de hoje da Jout Jout sobre a tendência que temos de categorizar sentimentos como negativos ou positivos e expulsá-los imediatamente, sem parar pra pensar. Raiva, tristeza, inveja? Nada disso é bom, deve simplesmente ser ignorado. Atire a primeira pedra quem viu isso funcionar de verdade.

Sentimentos não são caixinhas que podemos deixar num canto, ignorando que existem. Felizmente, é um pouco mais complexo que isso. Por isso, em relação aos ciúmes e a qualquer sentimento ~nocivo~, adotei uma política que é mais honesta comigo: Me perguntar o motivo daquilo. Por que me sinto insegura? Por que isso me deixa brava? Por que estou triste?

Pode até parecer que estou querendo jogar na sua cara uma bobagem positivista, mas na verdade está mais para o contrário. Invés de escolher quais sentimentos valem ou não a pena ser sentidos, é muito mais eficaz entender a motivação por traz deles. Se você gosta de dar nome aos bois, acredito que isso tem um pézinho na Psicanálise. Fica mais fácil lidar com as coisas quando entendemos de onde elas surgem e o que significam.

A síndrome da pessoa boazinha (que renderá um post em breve) é muito nociva e improdutiva. Não vale a pena fingir estar sempre de bom humor, se é tudo uma grande mentira. Entenda o que está sentindo. Viva um pouquinho o sentimento. Se questione. Procure compreender por que aquilo te afeta e de que forma você pode lidar com isso. As vezes, a solução que vai surgir na sua cabeça é realmente respirar e esquecer aquilo. De vez em quando, pode ser que você decida quebrar tudo. Aí vai de cada um.

Fórmulas mágicas só funcionam em livros de contos de fada. Na vida real, o buraco é mais em baixo.

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