A magia da escrita #15

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Eu considerei a possibilidade de não falar sobre o Dia do Escritor esse ano. Como a data já foi tema de postagem outra vez, fiquei pensando se ainda existia muito a se falar sobre isso. No entanto, resolvi fazer um contraponto. Há um ano, falei sobre o sentimento de não finalizar textos e intitulei isso de ser quase escritor. Hoje, resolvi falar sobre a sensação de ver as palavrinhas que você digitou se transformando em algo concreto. Spoiler: É mágico.

Isso não quer dizer que, nos últimos 365 dias, eu tenha finalizado uma saga de livros quilométricos nem que eu esteja prestes a ser publicada por uma grande editora. Não se anime. Por enquanto, isso ainda não é verdade. Apesar disso, consegui concluir algumas coisas e tive o privilégio de sentir aquele quentinho no coração que acompanha o sentimento de trabalho cumprido.

Nesse período, escrevi dois artigos científicos. Talvez não seja nisso que você pensa quando alguém menciona a palavra escritor, mas foi algo incrível. Infelizmente, o meu problema de deixar as coisas pela metade também costumava contemplar essa área da minha vida: Mesmo quando se tratava de algo acadêmico, eu acabava deixando pra lá, incerta da minha capacidade de finalizar o que havia começado.

Por isso, ler todas aquelas palavrinhas que tinham vindo de mim (e de Bakhtin, Simone de Beauvoir e outros autores que me ofereceram base teórica) foi incrível. Não só porque concluir qualquer coisa acadêmica é equivalente a tirar um rinoceronte dos ombros, mas porque eu pude perceber que nem era tão complicado assim e que eu é que tinha inventado os obstáculos no caminho só para me manter no lugar mais seguro.

Essa foi a vitória número um.

A vitória número dois foi juntar uma série de poeminhas que eu tinha escrito e fazer um zine para presentear o meu namorado no aniversário dele. Acredite, isso exigiu mais esforço da minha parte do que parece. Escrever foi o mais fácil. Boa parte dos textos tinham sido escritos ao longo do tempo em que estamos juntos e isso não foi problema nenhum. A grande questão foi juntar as coisas mais pessoais que eu já escrevi na vida e entregar a alguém.

Não há tempo de blog que me tire o nervosismo desse tipo de coisa. Não dá, é mais forte que eu. Tremo na base e morro de vergonha só de pensar em alguém do lado daí, lendo as palavras que eu escrevi. Imagina só quando se trata de um monte de escritos bregas e melosos? Não tinha como ser mais desafiador.

Apesar disso, saiu. O zine foi entregue e essa foi a vitória número dois.

A terceira vitória está sendo repartida em pedacinhos. Trezentos e sessenta e cinco, para ser mais precisa. Escrever todos os dias está sendo um desafio e um presente, tudo ao mesmo tempo. Além de todo o planejamento que é necessário, é preciso tirar ideias de onde não tem e, mesmo em tão pouco tempo de projeto, já me vi quebrando a cabeça, sem sabe sobre o que falar. Apesar disso, tenho vencido. Um pouquinho a cada dia.

No fim das contas, escrever é um misto de amor e ódio, com leves doses de desespero e uns momentos de nervosismo. É um momento de inspiração em situações aleatórias e a batalha para conseguir escrever duas palavrinhas que sejam. É único e incrível. É estresse e realização ao mesmo tempo. Mas é mágico. É sempre mágico.

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