TOP 3: Livros sobre saúde mental #18

lendo.gif

Para coroarmos a nossa semana de debates sobre saúde mental, resolvi falar um pouquinho sobre o papel da literatura nessa coisa toda. Na minha opinião, tem tudo a ver. Desde a infância, somos acostumados a ler uma série de coisas que vêm com uma moral: histórias em quadrinhos, fábulas, contos. Tudo acaba com uma lição sobre um tema qualquer. Isso porque é bem mais eficaz tratar sobre certos assuntos por meio da ficção.

Nós temos a tendência de reagir mal a ordens explícitas e diretas, o que quer dizer que é mais fácil entender as coisas por meio de personagens e metáforas. Especialmente, quando nos apegamos à trama. Então, que jeito melhor para tratar de tabus e de temas que exigem uma dose extra de sensibilidade e responsabilidade que por meio de livros?

É claro que isso não quer dizer que qualquer livro serve. Assim como no cinema, em séries e até na imprensa, é preciso ter cuidado com a forma que se trata esse tipo de questão. O que não vale é que isso se torne desculpa para não fazer um esforcinho a mais para levar uma mensagem importante.

Um cuidado válido, por exemplo, é deixar claro que o tema vai ser abordado. Suicídio, estupro e outras temáticas sensíveis não podem simplesmente ser utilizados como reviravolta para o enredo. É válido colocar até uns avisos no começo* para garantir que ninguém se sinta emocionalmente abalado com esses temas e acabe tendo uma surpresa muito negativa.

Outra coisa que pode ser pensada é quão descritiva é a cena. É realmente preciso abordar essas coisas com um montão de detalhes que podem acabar parecendo um tutorial? É um ponto válido tanto pra quem escreve quanto pra quem pretende indicar esse tipo de obra para alguém. Repito: não basta falar sobre, é preciso entender de que modo isso deve acontecer.

Por isso, resolvi fazer um TOP 3 temático, com obras que retratam bem questões como depressão e suicídio. Saber se isso é recomendado para você, no entanto, é algo muito mais pessoal. É claro que o fato de abordar esses sentimentos, por si só, pode despertar emoções negativas, então é válido refletir um pouquinho sobre quão disposto a ler isso você está.

De toda forma, acredito que esses livros podem servir como fonte de informação para quem não entende muito bem sobre o assunto e desmistificar algumas coisas que costumam ser disseminadas, então não poderia deixar de recomendá-los infinitamente.

*Que a gente costuma chamar de trigger warning ou aviso de gatilho.

Uma história meio que engraçada, Ned Vizzini

uma história meio que engraçadaEsse livro retrata a história de Craig Gilner, um adolescente que acabou de entrar no Ensino Médio e que, há pouco tempo, foi diagnosticado com depressão. Além dos pensamentos suicidas, a doença faz com que ele tenha dificuldades para dormir, comer e socializar.

Não tenho nem como explicar a tapa de luva que esse livro me deu. A forma que ele descreve todas as situações relacionadas à depressão é de uma destreza e de uma subjetividade que nem sei explicar. Além do Craig, outros personagens que também lidam com questões relativas à saúde mental aparecem (por mais que menos desenvolvidos), então dá pra ter um quadro bem amplo.

Outro ponto positivo é que, apesar de abordar uma questão bem séria, o livro tem momentos de leveza e até de humor que tornam a leitura bem mais fluida e simples.

A Redoma de Vidro, da Sylvia Plath

a redoma de vidroAlém de ser o único romance da Sylvia Plath, esse livro é meio que uma autobiografia. Apesar de muitas cenas terem sido usadas para incrementar a história, a maior parte dos acontecimentos tem muito a ver com o que a própria autora havia vivenciado. A trama acompanha Esther Greenwood, uma jovem que está fazendo estágio em uma revista de moda em Nova York e acaba desenvolvendo depressão, acompanhada de uma forte inclinação suicida.

Eu sou suspeita a falar de tudo que envolva Sylvia Plath. Ela é, sem dúvidas, uma das minhas escritoras favoritas e é claro que um livro tão pessoal para ela teria que ser infinitamente especial para mim. Pois é. Não tenho nem palavras para definir o amor que tenho por essa obra e, claro, pela Esther. Ela é uma das personagens mais envolventes, concretas e reais sobre as quais já li.

Já aviso de antemão que o livro é bem gráfico e que toda a parte emotiva é bem descritiva, então não é recomendado para todo mundo. Apesar disso, a oportunidade de mergulhar na cabeça e nos sentimentos de alguém tão brilhante quanto a Sylvia é algo único e completamente inesquecível.

À Procura de Audrey, da Sophie Kinsella

a procura de audreyAos 14 anos, Audrey é diagnosticada com ansiedade social, transtorno de ansiedade generalizada e depressão, após ser vítima de bullying. Isso faz com que ela desenvolva um quadro seríssimo que a impede de sair de casa e de socializar com basicamente qualquer pessoa que fuja do seu ciclo tradicional de convívio, chegando a se isolar quase que completamente.

Definitivamente não é o tipo de livro que você imaginaria a Sophie Kinsella escrevendo, mas é absurdamente cativante e, por muitas vezes, faz com que você se sinta exatamente na pele da Audrey e entenda exatamente o que ela sente. Só por isso, já recomendo infinitamente.

Apesar disso, acho que pode abrir espaço para aquela teoria de que doenças mentais podem ser curadas com amor e carinho (já falamos sobre como isso não é possível), então acredito que deva ser lido e levado em consideração com algumas ressalvas.

Anúncios

Um comentário sobre “TOP 3: Livros sobre saúde mental #18

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s