Arquivo S: Onde está Segunda? #30

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Onde está Segunda? é o filme novo da Netflix (estreou semana passada) e, bicho, ele é muito Black Mirror! Sabe aqueles filmes que te deixam sem ar o tempo todo e que te impedem até de piscar pelo medo de perder algo? É disso que estamos falando aqui. Com um plot muito interessante e uma atriz que pode ser a nova Tatiana Maslany, o diretor Tommy Wirkola criou uma coisa maravilhosa.

Acho que vale a pena destacar que o Wirkola não tem um histórico muito bom. Se eu soubesse que esse filme era dirigido pela mesma pessoa que dirigiu João e Maria: Caçadores de Bruxa, eu dificilmente teria dado uma chance, mas estou aqui com a missão de dizer que sim, vale muito a pena apostar nele!

Enredo

O filme se passa em 2073, num futuro distópico em que a população mundial ultrapassou a marca de 10 bilhões de pessoas e está ficando sem todos os recursos básicos. Com tanta gente no mundo, água e comida viraram bens muito raros. Por isso, o governo resolveu implantar uma política do filho único que determina que quem tiver mais de um filho terá que entregá-los para um laboratório, que garante que vai “congelá-los” em uma espécie de coma, até que tudo se restabeleça e os recursos sejam suficientes para todo mundo.

No meio de tudo isso, Karen Settman tem setúplas, quebrando todas as regras possíveis e imagináveis. Como ela morre durante o parto, cabe a seu pai manter as sete meninas vivas. Para que isso seja possível, ele resolve nomear cada uma como um dia da semana e cria uma regra que elas só podem sair no dia que as nomeia. Assim, as sete se unem para viver sob uma só identidade: a de Karen Settman.

Roteiro

A construção de todo esse universo futurístico e bagunçado acontece de uma forma bem legal. Acredito que isso não tenha sido o foco da narrativa, mas podemos ver detalhes como a rotina do ambiente e os funcionamentos das tecnologias sendo desenvolvidos aos poucos, por meio de elementos pontuais presentes nas cenas.

Inclusive, preciso puxar sardinha para o meu curso e dizer que uma das ferramentas que possibilitaram esse desenvolvimento do universo foi justamente o uso dos telejornais. É claro que esse não é um método inovador, nem nada do tipo, mas achei legal o fato de que o filme aproveitou do recurso sem tornar isso algo massivo e cansativo.

Outro ponto positivíssimo foi a construção dos diálogos e, consecutivamente, das personagens. Particularmente, não notei uma cena sequer em que os diálogos tenham adquirido aquele aspecto robótico que as falas de ficção científica costumam ter. É comum que os roteiristas aproveitem dessas situações para explicar um pouquinho do universo e acabem perdendo a naturalidade das coisas. Felizmente, isso não aconteceu nesse filme.

Além disso, os diálogos são uma ótima forma de diferenciar cada uma das irmãs. Por meio de palavras e expressões específicas, eles passam um pouquinho da personalidade de cada uma e só coroam a maravilha feita pela incrível Noomi Rapace. No entanto, um problema que deu pra notar foi que a divisão de “perfis” cai em um estereótipo meio caricato: Tem a irmã nerd, a irmã revoltada, a irmã certinha.

Reconheço a dificuldade que deve ser construir essas sete personalidades e passar algo distinto em todas elas, mas acredito que acabou sendo uma divisão meio preguiçosa e fácil demais. Apesar disso, não posso deixar de achar incrível o trabalho que foi feito na figura final.

Atuação

Sim, precisamos de um ponto específico para exaltar a Noomi Rapace. Talvez tenha sido um pouquinho de exagero quando comparei a moça com a incrível Tatiana Maslany, mas tiro meu chapéu para o trabalho feito pela Rapace. Durante todas as cenas, ela faz uma combinação de mãos, bocas e gestos para evidenciar as diferenças entre as gêmeas de modo menos brusco do que parece propor o roteiro.

Apesar da divisão inicial cair em estereótipos, a diferenciação promovida pela atuação dela vai bem além e busca aspectos mais sutis que podem até parecer despercebidos se não forem observados atentamente. Enquanto uma das irmãs tem um olhar mais agressivo, a outra parece mais assustada e outra mais compenetrada e em momento algum elas se misturam.

É sempre maravilhoso? Não. Tem umas cenas em que a atuação acaba falhando e algumas personagens não recebem tanto desenvolvimento. Mesmo assim, fiquei feliz com o resultado final e incrivelmente admirada com a Clara Read que, mesmo tendo apenas 11 anos, atuou maravilhosamente bem como a versão infantil das gêmeas.

Direção

Menino, o que foram aquelas cenas com câmera subjetiva? Fiquei muito apaixonada. O recurso diz respeito, basicamente, àquelas filmagens em primeira pessoa, que se passam pelos olhos do personagem. Nesse filme, a ferramenta foi utilizada com muita maestria para passar uma certa noção de pertencimento e ajudou muito nas cenas de ação. Até eu que não costumo ser fã desses momentos mais agitados preciso admitir que ficou tudo maravilhoso.

Não sei se essa foi exatamente a razão, mas acabou que foram tantas cenas enérgicas que o filme se tornou bem mais ação do que ficção científica, o que, claramente, não foi a ideia inicial. É uma versão de Matrix que se aprofunda pouco nos outros aspectos e se mantem num lugar comum, explorando pouco outros aspectos da história que renderiam bastante pano pra manga.

Considerações finais

No geral, o filme é muito bom. Prende a sua atenção, apresenta um universo intrigante e delicia o espectador com uma atriz que definitivamente merece receber mais atenção da indústria cinematográfica. Além disso, propõe uma discussão bem interessante sobre os rumos que as tecnologias e a humanidade estão tomando.

Recomendo muitíssimo! Quatro estrelas.

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