Resenha de Quinta: O ódio que você semeia, da Angie Thomas #33

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Basicamente todo mundo que leu ‘O ódio que você semeia’ estava garantindo que era o melhor livro do ano. Não foram duas ou três pessoas, foram quase todos os booktubes que acompanho e as pessoas que sigo no Good Reads. Um título tão forte quanto esse não é pra qualquer um e fazer esse sucesso com um monte de gente que tem gostos literários diferentes também não. Por isso, fiquei surtada para ler esse livro. Não aguento ver o buzz e não ir atrás para entender de onde surgiu.

Juro que cheguei até a ficar um pouco temerosa. Vai que ele não fosse tudo isso e todas essas resenhas e opiniões super positivas fossem só gerar uma decepção enorme? Nunca se sabe. A internet as vezes surta por uma coisa e nem sempre é fácil entender qual a graça daquilo. Mas não foi isso que aconteceu com esse livro. Felizmente, posso me juntar ao coro e dizer que essa foi a minha melhor leitura de 2017.

Enredo

O livro é baseado em experiências da própria autora e conta a história de Starr, uma adolescente negra que mora numa periferia e que testemunha o momento em que um policial mata Khalil, um de seus melhores amigos, durante uma blitz. A partir dessa experiência super traumática, ela passa a questionar todas as regras que tinha determinado e tudo que estava vivendo até o momento.

Até então, ela vivia duas personalidades: a Starr da escola para alunos ricos, que falava baixo, não questionava e fazia de tudo para evitar cair no estereótipo de “garota negra revoltada” e a Starr da periferia em que morava, onde ela podia ser mais genuína e usar tantas gírias quanto quisesse, sem medo de ser julgada.

Análise

Tem muitos pontos que eu amei nesse livro, mas quero começar falando sobre a escrita deliciosa da Angie Thomas. É tudo super claro, com diálogos e personagens super bem construídos e uma série de elementos que dão aquela cara de vida real para o que está acontecendo. É de longe uma das narrativas mais palpáveis que eu percebi nos últimos tempos.

Além de mencionar vários elementos da cultura pop e fazer uso das tecnologias (dois recursos pessimamente explorados na literatura contemporânea), ela desenvolve muito bem a relação da Starr com as famílias, os amigos e toda a vizinhança e garante que nenhum dos personagens fuja da ~realidade~. Sabe aquela mania de YA de colocar uma adolescente com cabeça de adulta, pronta pra salvar o mundo num piscar de olhos? Não vemos isso aqui. É tudo muito centrado e muito realista.

Outro aspecto muito importante é, claro, o trabalho em torno da temática do racismo. É muito interessante a forma que a Angie Thomas trabalha essas pautas, propondo reflexões pontuais a partir da ambientação. Por meio de falas específicas ou de relatos rápidos, a autora consegue nos fazer imergir na discussão e pensar sobre questões pouquíssimo trabalhadas na mídia tradicional.

Por meio dessa sensibilidade misturada com afronte, o livro consegue emocionar e tocar de uma forma bastante de singular. Não foram poucas as vezes em que me peguei chorando de frustração, tristeza e raiva e desejando que mais pessoas pudessem pensar sobre aquilo e entender que nada do que está nesse livro faz parte de um futuro distópico ou de uma realidade distante. Essas coisas estão acontecendo e não muito distantes de nós.

Angie Thomas conseguiu o que poucas pessoas conseguem fazer comigo, a menina dos textões: me deixou completamente sem palavras. Não consigo pensar em algo que expresse suficientemente quão importante esse livro é e quão maravilhoso é o fato de que ele possa abordar essas pautas com um público mais jovem. Por isso, vou resumir em: Leia. É um favor que você faz para si mesmo e para a humanidade. Milhões de estrelas.

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2 comentários sobre “Resenha de Quinta: O ódio que você semeia, da Angie Thomas #33

  1. Jessica Rabelo disse:

    Ola. Eu amei sua resenha pois vejo nela uma dinamicidade e realidade que busco em coisas do tipo. Quanto ao livro, esta na minha tbr desse mês e espero ler em breve. Quero muito me juntar ao coro e dizer que também foi a melhor leitura de 2017. Beijos.

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