Should I stay or should I go? #38

calendário.gif

Eu gosto de rotinas. Posso dizer que não e inventar uma desculpa para fazer parecer que gosto de viver cada dia intensamente e que aposto na imprevisibilidade de olhos fechados, mas seria tudo uma balela. Gosto muito mais de planejar o que vai acontecer no próximo dia, próxima semana, próximo ano.Gosto de ter tudo bem definido e me sinto muito ameaçada com a falta de estabilidade. Sou aquele personagem caricato dos filmes que sempre fica com um pé atrás antes de todas as cenas realmente significativas da narrativa.

É por essas e outras que uma das minhas metas desse ano foi “dizer sim”. Pura e simplesmente, como no título do livro da Shonda Rhimes. Dizer sim para tudo que me apavora e que torna o chão abaixo dos meus pés em um monte de areia movediça. Ok, isso foi meio brega, mas é mais ou menos essa a vibe: aceitar o assustador, o imprevisível, o diferente.

Depois de quase dez meses, preciso dizer que nem sempre é fácil. Aliás, dizer não também é uma virtude. É importante entender quando vale a pena estabelecer raízes e apostar no conhecido, no confortável. É difícil chegar em um equilíbrio, mas acredito que esse é o tipo de coisa pela qual devemos buscar. Entender quando ir e quando é melhor dar meia volta.

Dizendo sim fui capaz de ir a shows que me renderam experiências únicas, de viajar sozinha e de escrever um artigo no prazo mais apertado de todos. Dizendo sim aceitei esse projeto meio torto de postar todos os dias. Só três letrinhas e eu já estava em um caminho meio diferente e esquisito.

Dizendo não aprendi quem devo manter ao meu lado e entendi que o ego as vezes é uma armadilha meio traiçoeira. Dizendo não economizei dinheiro e fiquei em casa em noites chuvosas, sem nenhum arrependimento. Só três letrinhas e eu já estava colocando minha saúde mental na frente das outras coisas.

Em um monte de livros de auto-ajuda, é possível encontrar mil dicas de “quebre a rotina”, “abandone a estabilidade”, mas, na real, acho que é uma questão bem mais complexa que isso. O que vale mais é estabelecer a sua própria rotina e descobrir o que cabe ou não nela. É abraçar as oportunidades de mudança, mas se conhecer o suficiente para saber quais serão verdadeiramente positivas.

Não importa o que você faça. Eventualmente, você vai quebrar a cara.  Indo ou ficando. Dizendo sim ou não. Esqueça as regras. A vida real ainda é a coisa mais imprevisível que existe.

 

Anúncios

Um comentário sobre “Should I stay or should I go? #38

  1. Tati disse:

    Eu também prefiro a rotina, gosto de me planejar também.
    Claro, às vezes é bom fazer as coisas sem pensar muito, deixar a coisa ir.
    Mas concordo com você principalmente no que diz respeito a respeitarmos nos mesmos também, nossas vontades. E qual o problema de gostar de gostar de rotina né? 🙂

    Curtir

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s