A maior feminista revoltada que você respeita #39

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Durante boa parte da minha adolescência, eu abracei o título de feminista revoltada. Eu era a pessoa que brigava com todo mundo e que se sentia na obrigação de apontar o dedo para cada ato, fala ou pensamento sexista que aparecia por aí. Que tipo de pessoa eu seria se deixasse esse machismo passar? Eu seria só mais uma no meio deles, mais uma arma do patriarcado.

Alguns anos se passaram e eu ainda brigo por causa disso. Bastante. A única diferença é que eu sei em que tipo de discussão vale a pena entrar. De vez em quando, eu me dou o direito de aumentar o volume do fone de ouvido e ignorar os comentários alheios. Me permito respirar fundo e focar em outra coisa, fingindo que a pessoa que falou uma bobagem daquele tamanho não está ali.

Isso não foi uma coisa planejada. Não foi uma resposta aos esforços da minha mãe para que eu não me envolvesse em tanta confusão. Foi só algo que aconteceu naturalmente. Agora eu sei quando vale a pena fazer um textão e quando é muito melhor desfazer amizade ou, simplesmente, continuar rolando a página.

Por muito tempo, afirmei que os deboístas eram só cúmplices nesse processo todo de opressão que fingiam não estar vendo as coisas só para ficarem alheios aos acontecimentos. Hoje, entendo que não perco nenhuma estrelinha na minha carteira de ativista por entender que existem pessoas que não estão dispostas a dialogar e que só querem mais argumentos para atacar os movimentos sociais.

Não sou da política de atingir igualdade com apresentação em PowerPoint, mas gosto de lembrar a mim mesma que não sou obrigada. Eu vou continuar gritando, brigando e reclamando tantas vezes quanto eu achar necessário, mas vou me permitir dar um passo para trás e lembrar que me manter sã também é importante.

Como uma cena de Dear White People aponta maravilhosamente: As vezes, ficar de boas também é um ato revolucionário.

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3 comentários sobre “A maior feminista revoltada que você respeita #39

  1. Tati disse:

    Verdade!
    Às vezes não vale o desgaste de ficar falando/escrevendo, argumentando, etc.
    Simplesmente pelo que você falou: tem gente que não tá a fim de ouvir/discutir/conversar, só quer ter razão.

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  2. Maby Ferreira disse:

    Eu sou sua fã hahah, adoro o modo como escreve e mais que isso, adoro seu posicionamento perante questões tão importantes. Também acho saudável ficar de boas vez ou outra, mas sempre que necessário, estaremos lá derrubando o patriarcado e desconstruindo paradigmas.

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