Maratona para o Oscar 2018 #2: Os indicados a Melhor Roteiro

maratona oscar - melhor roteiro

Cada dia que passa fico mais ansiosa pela cerimônia do Oscar. Conhecer mais indicados é, também, ficar mais em dúvida de quem vai acabar levando as famigeradas estatuetas para casa e esse é um sentimento meio doido e massa.

Dessa vez, falaremos dos indicados por melhor roteiro. Como muitos dos indicados já foram abordados no post da semana passada, vou me ater apenas aos que ainda não foram mencionados.

Já adianto que tá super concorrido e que as indicações são tão boas que servem tanto pra maratona quanto pra a vida.

A Grande Jogada

a grande jogada

Foi indicado a: Melhor Roteiro Adaptado.

Enredo: A trama narra a história de Molly Bloom, a mulher (incrível, diga-se de passagem) que ficou conhecida como “princesa do pôquer” depois de criar gigantescos eventos do jogo, que contavam com a participação de figuras bastante ricas e influentes. Sua “carreira” no ramo durou oito anos, até que foi descoberta pelo FBI e se tornou protagonista de uma intensa investigação.

O que achei: O enredo desse filme não faz jus à profundidade dele. Juro. O pôquer é só a pontinha de uma narrativa que envolve relações familiares, auto-estima, altruísmo e várias outras questões. Estou tão apaixonada pela coragem e força da Molly Bloom que nem sei se dá pra colocar em palavras.

Até pra mim, que não tenho a menor familiaridade com as regras do jogo, o filme foi super envolvente e interessante. Me senti totalmente imersa nas partidas e gostei muito de como o funcionamento da coisa toda foi explicado. Deu pra entender minuciosamente? Não. Mas fiquei menos perdida do que esperava.

O roteiro é incrível e merece demais essa indicação. Além disso, as atuações estão totalmente bem desenvolvidas e o trabalho de direção foi incrível. Fiquei totalmente apaixonada. Cinco estrelas

Artista do Desastre

artista do desastre

Foi indicado a: Melhor Roteiro Adaptado.

Enredo: Esse filme absurdamente metalinguístico narra todo o processo de criação, produção e concepção do filme que é considerado o pior de todos os tempos: The Room. A trama narra toda a história do excêntrico Tommy Wiseau em sua jornada de ator, diretor, produtor e megalomaníaco.

O que achei: Depois de todas as polêmicas envolvendo o James Franco, eu queria odiar esse filme. Juro que fui pronta para apontar todos os defeitos e criticar cada partezinha, mas ele acabou me ganhando. Apesar de todos os pesares, é uma obra bem completa, com um estilo meio trash e que abusa da metalinguagem de uma forma sensacional.

Além de dar uma boa noção de que como funcionam os sets e toda a produção audiovisual, o filme pincela outras reflexões importantes, como os efeitos que ~ser artista~ podem ter para a vida pessoal das celebridades. É uma narrativa fluída e que faz jus ao enigma que é a vida do Tommy.

As cenas pós-créditos são de esquentar o coração de qualquer um. Apesar de ter uns errinhos de continuidade e umas atuações meio forçadas, é um dos filmes mais intrigantes da temporada. Quatro estrelas.

Doentes de Amor

doentes de amor

Foi indicado a: Melhor Roteiro Original.

Enredo: O filme conta a história de Kumail, um comediante paquistânes que é o contrário de tudo que sua família tradicionalíssima planejou. Além de não ter seguido o rumo da advocacia, o rapaz acaba se envolvendo com uma família branca: o maior crime que poderia ter cometido.

O que achei: Desde que soube da indicação desse filme, fiquei doida pra assistir. “Finalmente um filme leve em meio a todas as tramas densas que eu vinha maratonando”, eu pensei. A realidade não foi bem assim, mas eu estava certa em imaginar que me apaixonaria já nas primeiras cenas.

É uma trama extremamente real (até porque é baseada em uma história real ¯\_(ツ)_/¯ ) com a qual é impossível que você não se identifique nem que seja um pouquinho. É um Romeu e Julieta atual, cheio de reviravoltas e que te faz questionar um monte de paradigmas, do jeitinho que eu gosto. Chorei? Bastante. Mas ri e me apeguei aos personagens em um nível absurdo.

É levinho, fofinho, cheio de amor e toca exatamente onde dói. Cinco estrelas.

Logan

logan

Foi indicado a: Melhor Roteiro Adaptado.

Enredo: O filme se passa em futuro no qual Logan desistiu de ser Wolverine e tenta ao máximo esconder sua identidade, enquanto cuida do Professor Xavier. Seus segredos começam a se tornar mais difíceis de guardar quando uma jovem mutante surge em sua vida.

O que achei: O que esperar do primeiro filme de super-herói a ser indicado a essa categoria em toda a história do Oscar? Não podia ser menos que muito massa. Eu já gosto da temática naturalmente, então não sei mensurar como seria para alguém que não é muito fã do universo, mas posso dizer que é uma narrativa mais densa do que estamos acostumados. Quem te viu e quem te vê, Marvel.

Não foge totalmente da fórmula heroica de vilões, bombas, guerras, cabeças voando e todo o resto que estamos acostumados, mas consegue tocar de uma forma menos engraçadinha e mais “uau, é sério isso?”. É uma narrativa bem interessante, que peca apenas na falta de explicação para algumas coisas. Passei boa parte do filme com cara de “????”.

Entendo que é voltado para um público bem direcionado, mas não faz mal abranger mais pessoas, né? Além disso, fiquei incomodada com uns erros de continuidade meio óbvios que apareceram no meio do caminho, mas nada que não desse pra ignorar.

No mais, foi interessante ver esse outro lado do mundo dos super-heróis e a experiência toda vale muito a pena. Três estrelas e meia.

Mudbound – Lágrimas sobre o Mississipi

mudbound

Foi indicado a: Melhor Roteiro Adaptado, Melhor Atriz Coadjuvante (Mary J. Blige), Melhor Fotografia e Melhor Canção Original (“Mighty River”).

Enredo: Essa lindeza de filme narra a história de duas famílias de veteranos da Segunda Guerra Mundial que vivem em lados opostos da hierarquia social, mas que têm mais em comum do que parece. Em uma das pontas, a família rica e branca. Na outra, a família negra e pobre. E tudo acaba se misturando numa quebra das barreiras estabelecidas.

O que achei: Sinto que no final dessa maratona vou precisar fazer um ranking dos filmes que mais me fizeram chorar. Caso isso aconteça, aqui vai um spoiler: esse é um bom candidato para o pódio. Pense numa narrativa intensa, densa e que quebra um monte de paradigmas? É essa. É incrível como um filme sobre uma guerra que aconteceu há 70 anos consegue ser absurdamente atual.

Além de ter personagens bastante envolventes – daqueles que dá vontade de defender com unhas e dentes -, a trama se desenvolve de uma forma tão profunda que, quando você vê, o filme já tá acabando e você está em prantos. É tudo tão real, tão palpável e tão vivo que não dá pra não se sentir imerso.

Um dos recursos que ajudam nisso é a quebra de linearidade. Além disso, a construção da narrativa a partir das famílias opostas é extremamente importante para a fluidez e o desenvolvimento da história.

Amei tanto que minha única tristeza é que não recebeu mais indicações. Cinco estrelas.

 

 

 

 

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