Maratona para o Oscar 2018 #4: Os indicados a Melhor Animação

maratona oscar - melhor animação

Estamos praticamente na reta final de preparação para cerimônia! Nessas últimas semanas de maratona, resolvi focar em uma categoria que amo e valorizo demais: a de Melhor Animação. Engana-se quem pensa que é um conteúdo meramente infantil. Todo ano, a Academia escolhe umas obras lindas que tratam temas complexos e densos com bastante sensibilidade.

Por isso, eu não poderia deixar de vir aqui enaltecer esses filmes maravilhosos. É claro que os critérios de avaliação são um pouco diferentes, mas não dá pra deixar de citar essas indicações lindíssimas.

A única resenha que vou ficar devendo é a de The Breadwinner, que ainda não está disponível. Mas, como nos outros posts, quando eu conseguir assistir, atualizo o post e aviso pelo Instagram (@desfabulosodestino).

Com Amor, Van Gogh

com amor, van gogh

Foi indicado a: Melhor Animação.

Enredo: Um ano após o suicídio de Vincent Van Gogh, seu carteiro e amigo pessoal encontra uma carta que ele escreveu para seu irmão e que nunca chegou ao destinatário. Com o objetivo de honrar a memória do pintor, o homem incentiva seu filho a ir numa longa jornada para conseguir descobrir a localização do irmão do artista e entregar a correspondência.

O que achei: Ok, vamos começar pelo que realmente importa: o filme é formado por 65 mil frames, ilustrados por 100 pintores que seguiram o estilo de Van Gogh. Tem como ser mais impressionante? Eu duvido. O pintor respirava arte e nada mais justo que homenageá-lo a partir da reprodução de suas obras mais famosas e do seu estilo, que se tornou um registro imortal de sua trajetória.

Além disso, acredito que o filme investiu bastante em alguns elementos metalinguísticos que tornaram a trama ainda mais sensível. Mesmo que hoje valham milhões de dólares, suas obras foram ignoradas durante toda sua vida. Por isso, é bastante simbólico que o filme tenha sua morte como ponto de partida.

Outra escolha interessante é construir a narrativa a partir de relatos de várias pessoas (retratadas em suas pinturas), que o caracterizaram de diversas formas: de gênio a desordeiro, todos tinham uma forte opinião em relação ao excêntrico artista. Essa pluralidade é um traço singular que é muito forte na construção da imagem que temos do pintor até os dias de hoje.

Por isso, acredito que o filme não se propõe a ser uma biografia, como costuma ser apresentado, mas um tributo à trajetória de um homem cuja vida é contada por meio da arte. Quatro estrelas e meia.

O Poderoso Chefinho

o poderoso chefinho

Foi indicado a: Melhor Animação.

Enredo: Tim é um garoto de sete anos que tem a vida totalmente alterada pela chegada de irmão mais novo, que usa terno, sabe falar e roubou toda a atenção dos seus pais. Aos poucos, ele descobre que o caçula não é um bebê comum e foi enviado à família com uma missão para cumprir.

O que achei: Eu gosto de animações. Não é a toa que resolvi fazer um post inteirinho dedicado à essa categoria do Oscar. Mas juro que O Poderoso Chefinho parece ser desinteressante até para a criança em mim. Com uma proposta de criar algo muito lógico, o tiro parece sair pela culatra e deixar as coisas meio chatas. A impressão é que o filme foi criado para agradar todos os públicos, mas que, no fim das contas, não é nada marcante para nenhum deles.

A dublagem não é boa e a narrativa não impressiona (apesar dos notáveis esforços). Apesar disso, a experiência se torna um pouquinho mais divertida pela leveza trazida pelas piadinhas engraçadas e mensagenzinhas inspiradoras. No fim das contas, acabei até chorando um pouquinho no final, mas sinto que nem vou mais lembrar de grande parte da história daqui a algumas semanas.

Não é terrível, mas também não aproveitaram a proposta tanto quanto poderiam. O enredo tinha potencial, mas acabou não entregando o que promete. Duas estrelas e meia.

O Touro Ferdinando

o touro ferdinando

Foi indicado a: Melhor Animação.

Enredo: Ferdinando é um touro gigante e sem muito interesse por violência. Depois de ser confundido com um animal perigoso, ele é capturado e levado para um rancho que prepara animais para touradas. Sem nenhuma vontade de participar disso, ele começa a traçar um plano para fugir do local.

O que achei: Vai parecer que eu sou muito implicante se eu falar que esse filme também não foi lá grandes coisas? A diferença é que acho que, nesse caso, o público infantil até vai dar umas boas risadas e se divertir com a mensagem positiva de respeito pelas diferenças. Apesar disso, achei que também dava pra ter desenvolvido muito mais a ideia do roteiro.

Não vemos muito sobre o mundo das touradas, nem sobre a relação do Ferdinando com a família que o adota, nem com o rancho. Tudo passa meio rápido, meio superficial, como se não houvesse muita preocupação com o que ocupa os espaços entre as grandes cenas. Achei a narrativa meio jogada, como um plano que poderia ter tido um bom final, mas que acabou sendo mal executado.

As piadas são engraçadas e seguem um bom timing, mas nada super impressionante. O ponto alto fica mesmo para a lição de moral fofinha que foi dada. Três estrelas. 

Viva – A Vida é uma Festa

viva - a vida é uma festa

Foi indicado a: Melhor Animação e Melhor Canção Original (“Remember Me”).

Enredo: Membro de uma família que odeia música, Miguel se vê confrontado por seu desejo de seguir na carreira. No Dia dos Mortos, o garoto resolve seguir o lema de seu ídolo e “aproveitar o momento”, participando de um concurso de talentos na praça municipal. Para  isso, ele resolve roubar o violão do seu artista favorito e acaba sendo levado para o mundo dos mortos.

O que achei: Voltamos a falar de filmes que amei. Finalmente. “Viva” me cativou nos primeiros instantes e é uma história linda sobre família, amor e identidade. Fazendo um tributo aos dramalhões mexicanos, a narrativa é super instigante, cheia de reviravoltas e encontra na música um elemento de extrema importância para seu desenvolvimento.

Além de ter piadas muito bem construídas e personagens bastante envolventes, o filme é coroado por uma qualidade técnica absurda, capaz de criar texturas realistas, cores vivas e um equilíbrio de luz e sombras que nem toda fotografia consegue atingir. É uma obra divertida, engraçada e muito tocante, que ganha adultos com a mesma facilidade que impressiona crianças. Quatro estrelas e meia. 

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