Arquivo S: Onde está Segunda? #30

1-What-Happened-to-Monday-Official-Trailer-HD-Netflix-YouTube.jpg

Onde está Segunda? é o filme novo da Netflix (estreou semana passada) e, bicho, ele é muito Black Mirror! Sabe aqueles filmes que te deixam sem ar o tempo todo e que te impedem até de piscar pelo medo de perder algo? É disso que estamos falando aqui. Com um plot muito interessante e uma atriz que pode ser a nova Tatiana Maslany, o diretor Tommy Wirkola criou uma coisa maravilhosa.

Acho que vale a pena destacar que o Wirkola não tem um histórico muito bom. Se eu soubesse que esse filme era dirigido pela mesma pessoa que dirigiu João e Maria: Caçadores de Bruxa, eu dificilmente teria dado uma chance, mas estou aqui com a missão de dizer que sim, vale muito a pena apostar nele!

Continuar lendo

Anúncios

Atualização mensal: Os filmes de Julho #19

tv.gif

Depois de meses em uma ressaca mental, literária e cinematográfica, as férias chegaram e, com elas, tive um pouquinho mais de sossego. Parece propaganda de algum produto louco, mas é apenas o relato de uma universitária cansadíssima que ainda não está preparada para a volta às aulas.

Aproveitando os últimos dias de férias que me restam e honrando à antiga tradicional de Atualização Mensal resolvi dividir os feitos de Julho em duas partes. Hoje, vocês saberão sobre os filmes do mês. Amanhã, vou deixar para falar sobre os livros.

Como (felizmente) tem muita coisa para falar, vou me ater a fazer uma análise bem curtinha só para deixar registrado mesmo.

P.S.: Okja tá fora dessa lista porque já ganhou um postzão todo dedicado cheio de amor.

Continuar lendo

Arquivo S: Okja #8

OKJA0

Desde o primeiro momento, Okja dividiu opiniões. Diante da reação da plateia durante sua estreia em Cannes, os críticos e jornalistas (e, claro, a internet) praticamente se separaram em dois times, contra ou a favor da Netflix. Para a plataforma de streaming, o resultado foi positivo: em pouco tempo, todos estavam curiosos para assistir o longa dirigido pelo diretor coreano Bong Joon-Ho.

Mesmo com as polêmicas, o filme foi recebido de forma muito positiva pelo público, sendo alvo de uma série de elogios. A repercussão foi tanta que alguns críticos estadunidenses apostaram que Okja seria responsável por disseminar o vegetarianismo e o veganismo no mundo inteiro.

Se isso vai realmente acontecer, eu não faço ideia. Mas garanto que é impossível não repensar seus hábitos alimentares e, especialmente, a indústria da carne, depois de assistir a esse filme incrível.

Continuar lendo

Vídeo: O outdoor do X-Men é machista?

 Na última semana, a internet se dividiu numa discussão sobre a propaganda do novo filme da franquia de X-Men. Nela, o Apocalipse aparece enforcando a Mística e se lê a frase “Apenas os fortes sobreviverão”. Entre muitas acusações de que era apenas exagero e textões para justificar a posição de quem acredita que a propaganda incentiva a violência doméstica,  muita gente teve uma opinião para dar.

 E como a boa problematizadora que eu sou, vocês sabem que eu não podia perder a oportunidade de falar sobre isso, né? Por isso, fiz esse vídeo comentando um pouquinho do caso e falando sobre a minha opinião em relação a todo esse caso.

Arquivo S: O Quarto de Jack

capa room

 Na semana do Oscar, resolvi fazer uma maratona para assistir ao máximo de filmes que conseguisse, só pra não assistir a premiação sem saber de nada e ter pelo menos umas apostas e preferências. Um dos primeiros filmes da lista foi, obviamente, O Quarto de Jack.  A internet inteira estava obcecada por ele e eu, como boa curiosa que sou, queria descobrir o que tinha de tão envolvente nesse filme.
E acabei descobrindo. Eu não sabia nada sobre a história. Nem que tinha um menino fofo, nem qual era o gênero, nada mesmo. Isso quer dizer que fui me apaixonando a cada segundo mais e mais e mais e é o que eu recomendo que você faça. Pare de ler agora e vá assistir e depois volte aqui pra ver se pensamos mais ou menos as mesmas coisas.
Por mais que eu não vá dar spoilers e que só queira gritar pra o universo inteiro o quanto vale a pena assistir ao filme e, especialmente, ler a obra que o inspirou, acredito que não saber sobre a trama dá um toque todo especial à experiência.

Continuar lendo

As cores no filme Convergente

Preciso admitir que sou um pouquinho tendenciosa quando se trata da trilogia Divergente. Sou apaixonada pelos livros e tenho gostado dos filmes também. O que quer dizer que eu estava louca para assistir à adaptação cinematográfica de Convergente (o último livro) desde a semana passada, quando lançou nos cinemas.

 No geral, não gostei muito do filme. Achei que forçou um pouquinho além da conta o aspecto da ação e isso se torna meio cansativo, especialmente pra quem se interessa muito mais pelo aspecto social e político da coisa. Se você não está muito familiarizado com a história, é o seguinte: num futuro distópico, as pessoas estão divididas em grupos – denominados facções – de acordo com suas características predominantes. Mas existem aqueles que se encaixam em mais de uma dessas divisões, os divergentes.
 E a gente vai acompanhando a história da Tris, que é parte desse grupo de diferentões, enquanto ela tenta entender o sistema que rege a sociedade em que vive. Claro que ela acaba se rebelando e surge todo aquele negócio de lutar contra o poder. Tem quem ache que é parecido com Jogos Vorazes, tem quem ache que não tem muito a ver (sou parte do segundo time!), mas não é sobre isso que eu quero falar.

Continuar lendo

2º Festival de Cinema de Caruaru: Meus dez curtas favoritos

 Foram muitos curtas durante essa semana e pra ficar mais dinâmico pra todo mundo, achei que seria melhor falar sobre quais filmes ganharam meu coração do que resenhar todos eles.
 Não pude ir para todas as mostras, mas fui ao máximo que pude e foi uma experiência muito rica. Os organizadores do evento estão de parabéns em todos os aspectos. Conseguiram promover um festival tão incrível que mal acabou e já estou ansiosa para a terceira edição.
 Deixei de fora dessa lista os filmes do primeiro dia porque já tinha falado deles antes e já tive que lidar com um batalha interna para decidir os que entrariam nessa lista, mas todas as indicações foram feitas com amor.

Virgindade
Esse curta pernambucano, com direção e roteiro do Chico Lacerda, tem um estilo documental e fala sobre as primeiras experiências de um cara na descoberta da homossexualidade e de si mesmo como um ser sexual. É incrível porque a narração norteia tudo e funcionou de uma forma maravilhosa. Uma linha do tempo é criada por meio desses relatos e apesar de todos apresentarem esse aspecto de sexualidade, não há nada de relação sexual propriamente dita. O grande foco, pelo menos na minha opinião, é toda a trajetória da infância e da adolescência desse narrador que vai se moldando e descobrindo mais e mais sobre si mesmo. Ele não está disponível na íntegra na internet, mas dá pra ver o trailer. Aviso de amiga pra não dizer que não sabia: tem um monte de imagens de pênis. Se você não gosta, não veja.

Translúcidos
 O filme de Asaph Luccas e Guilherme Candido funciona como um falso documentário: tem o formato documental, mas apresenta narrativas ficcionais. Ele trata sobre uma clínica que vê a transgeneridade como patologia, internando transgêneros e realizando um tratamento com remédios e técnicas behavioristas de aversão que lembram muito o Método Ludovico, do livro/filme Laranja Mecânica. Também não está disponível online, mas há um monte de informações (e o trailer) aqui.

Mulher(es)pelhos
 Realizado pela Secretaria da Mulher de Pernambuco e dirigido por Rayza Oliveira, o curta trata sobre abusos sexuais e o trauma que eles geram nas vítimas. Com relatos fortes e de uma sensibilidade incrível, o filme mostra o desafio que é se encarar no espelho depois desses acontecimentos e reflete sobre as cicatrizes que ninguém pode ver, mas que dificilmente serão apagadas. Infelizmente, nem o curta, nem o trailer estão na internet.


O filme de Leandro Tadashi é a coisa mais linda do mundo. Tem um ar poético e fala de uma forma delicada sobre a relação de um neto com a avó que acaba de se mudar para a sua casa, o expulsando do quarto em que antes dormia e mudando um pouco a sua rotina. Com muita sutileza, vão explorando o interesse que o amor da pelas plantas conquista em Bruno e como essa forte ligação se torna praticamente um dos personagens. Dá pra conferir o trailer e morrer de amores aqui. [UPDATE: O curta inteirinho já está aqui.]

#Apaixonadinho
 Esse curta é daqueles que aquecem o coração de uma forma tão fofa que é impossível não recomendar pra todo mundo. Com direção de Alexandre Estevanato, ele relata sobre como é estar apaixonado pela primeira vez e é tão adorável que nem sei como explicar. Tenho certeza que todo mundo vai se identificar pelo menos um pouquinho com o drama de encontrar o primeiro amor e ter medo de não ser correspondido e morrer sozinho. O trailer está no Youtube e estou torcendo pra que logo o curta esteja também porque quero reassistir toda vez que ficar triste. [UPDATE: Já dá pra assistir online também <3]

Cadente
O filme foi dirigido por Diego Lopes e Claudio Bitencourt e tem a direção de arte mais linda do universo. Os cenários e as vestimentas são muito lindos e combinam perfeitamente com a história. Ele fala sobre uma garota que consegue, meio que sem querer, entrar em contato com um astronauta e acaba desenvolvendo o hábito de conversar com ele diariamente. No meio das suspeitas de que seja só um trote, ela também está ao lado de uma mãe obcecada com astrologia e astronomia, que acredita que o marido abduzido está prestes a voltar. O trailer é muito bonitinho e já dá uma noção da beleza do curta completo.

A dona do pecado dos outros
 Com direção de Carlos Silva e tendo um viés de humor, esse filme é sensacional. Ele fala sobre uma mulher que vai até um padre falar sobre os absurdos dos pecadores que estão ao redor dela. Achei a ideia genial e uma forma bem interessante de criticar essa perspectiva de julgar os erros dos outros o tempo todo, enquanto ignora os seus. Apesar da produção ser independente, o roteiro é muito engraçado e dá pra ver no Youtube.

Chapa
Esse é outro filme com aspecto mais humorístico e, sob direção de Fabio Montanari, se passa durante a Copa do Mundo que foi sediada no Brasil. É uma crítica leve e engraçada ao hábito de gourmetizar as coisas, combinada com a declaração de que no fundo a gente realmente gosta muito mais de aconchego. O trailer está disponível na internet.

O Melhor Som do Mundo
 Preciso de um momento de silêncio antes de falar sobre esse filme. Meu ascendente em câncer não aguentou e meus olhos encheram de lágrimas com essa história linda. O curta foi dirigido por Pedro Paulo e narra a história de um garoto que é obcecado por colecionar sons e que está em busca do mais bonito de todos. E é tudo contado com uma delicadeza de derreter o coração. Dá pra conferir o trailer aqui e já estou de dedos cruzados pra que seja postado na íntegra algum dia. [UPDATE: ESTÁ INTEIRINHO AQUI!]

Espaço Protegido
 O curta alemão foi dirigido por Zora Rux e fala sobre assédio sexual e como lidar quando esse tipo de crime pode afetar toda a conjuntura de um grupo. Ele propõe uma discussão maravilhosa e tem falas incríveis que, sinceramente, mereciam muito mais visibilidade. O trailer não está legendado, mas dá pra entender um pouquinho da dinâmica.