A primeira regra de todos os manuais de relacionamento

auto estima

Nunca coloque a sua autoestima nas mãos de alguém. Nunca nunca nunca nunca.

Ele pode ser encantador e charmoso e o amor da sua vida e toda uma gama de adjetivos que você nunca usou para descrever ninguém. Ele pode ser a pessoa mais incrível que você conheceu e que te faz sentir coisas únicas e indescritíveis. Ele pode ser tudo que você sonhou e um pouco mais.

Mas nem ele merece ser uma exceção para essa regra.

Esse é o tipo de coisa sobre a qual devemos ser impositivos e egoístas. Não há nenhuma flexibilidade nesse caso. Sem negociações, barganhas ou choramingos. É uma péssima ideia e você sabe disso. Não restrinja sua visão de si mesmo ao prisma de alguém.

Condicionar seu amor próprio aos sentimentos expressados por outra pessoa é uma ação inevitavelmente fadada a falhas. Mesmo que seja o sentimento descrito em todos os contos de fadas e obras de romance água com açúcar, ele deve ser um complemento e não o resultado final dessa equação.

Outras pessoas podem ser propulsoras da sua autoestima. Podem até te dar um empurrãozinho. Mas ela é propriedade exclusiva sua e é assim que deve ser. É uma armadilha para ambos os lados e simplesmente não vale a pena.

Seu amor próprio merece ser uma entidade independente. Independente de elogios alheios, de aprovação, atenção ou de seja lá o que você busca. As raízes desse sentimento devem nascer em você. Se amar porque você é suficiente.

Só assim você permitirá que esta sensação se expanda e gere frutos. Que ela se estenda ao amor que você sente pelos outros e pelo que te rodeia. E que ela permaneça. Independente de quem vai ou fica, de quem te aprecia ou não.

Porque o sentimento deve ser inteiramente seu. E nada mais.

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“Ué, é só isso?”

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Como mencionei por aqui, uma das melhores decisões que tomei em 2017 foi voltar para a terapia. É incrível e intenso mergulhar em si mesmo e refletir sobre um monte de coisas que costumam passar despercebidas. Sério. Não tem preço. Apesar disso, esse não é exatamente o assunto de hoje.

A verdade é que eu discuti bastante com a minha maravilhosa terapeuta sobre aquela sensação de “ué, é só isso?”, que bate quando realizamos uma meta que elegemos como a mais importante de todas. A gente acha que precisa de tal coisa pra que a vida realmente faça sentido e entre nos eixos. Morar sozinha, ter um emprego, entrar na faculdade. Sempre tem aquela coisa que faz com que a gente pense “quando eu fizer isso, a minha vida vai mudar completamente”.

Mas nem muda tanto assim. Na maior parte das vezes, você só vira uma versão de si mesmo com mais responsabilidades. Nada é tão instantâneo, nem acontece num passe de mágica. É claro que sair de casa, entrar na faculdade e conquistar o emprego dos sonhos mudam as coisas de alguma forma, mas não é algo imediato. Essas coisas levam tempo e a gente quase nem se dá conta de que realmente mudou até que para pra refletir.

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Um brinde à intensidade de 2017

Sem dúvidas, 2017 foi um dos anos mais intensos da minha vida. Passei a primeira semana dele no hospital e até achei que isso era um sinal mirabolante de que as coisas não dariam muito certo ao longo dos dias seguintes, mas, no fim das contas, sinto que aprendi muito e que me permiti crescer e amadurecer como nunca.

Fiz vinte anos e senti todas as emoções doidas da vida adulta, como viajar sozinha, fazer minha primeira e tão sonhada tatuagem, passar o ano inteirinho sem morar com ninguém e noivar (!!!). Escrevi dois artigos, apresentei um deles em uma cidade distante e redescobri meu amor pela vida acadêmica.

Voltei para a terapia e mergulhei em mim mesma, descobrindo que essa é a melhor viagem que você pode fazer. Depois de mais de dez anos, passei 365 dias sem escovar meu cabelo e entendi que isso é muito mais que uma simples questão de estética, tem a ver com identidade, pertencimento e amor próprio.

Trabalhei muito e percebi que essa rotina louca pode ser tanto cansativa quanto libertadora e, normalmente, é os dois ao mesmo tempo. Comecei a criar uma planta, vi meu irmão se formar no Ensino Médio e fiz novas amizades. Fui mais honesta comigo mesma e me permiti.

Escrevi e li bastante e voltei a me conectar com esse lado que eu tinha abandonado, mas que amo tanto. Comecei a me organizar melhor financeiramente e tenho me interessado bastante por tudo relacionado a essa área. Entendi mais sobre mim e adquiri uma visão totalmente nova sobre o mundo ao meu redor.

No meio dos altos e baixos, mantive sempre perto as pessoas que fazem tudo valer a pena. Cresci muito e me sinto cada vez mais conectada com uma versão mais real de mim. Foi um ano louco, transformador e assustadoramente intenso, com uma importância gigantesca.

Que 2018 seja ainda mais cheio de intensidades.

Um brinde a tudo que passou e às experiências que estão por vir.

Feliz ano novo (e feliz 3 anos de Desfabuloso Destino)!

Você não é a mãe do seu namorado #42

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É isso. Você não é a mãe do seu namorado. Nem do seu marido, nem do seu rolinho, nem do seu crush, nem de seja lá como você chame a pessoa com quem você está se relacionando. Esse é o tipo de coisa que parece óbvia demais, mas que nós costumamos esquecer. Você não é obrigada a lembrá-lo de pagar os boletos, de estudar pras provas ou de ir ao médico. É claro que você pode fazer isso (e é gentil que faça), mas não é sua obrigação.

Você não é responsável pelo sucesso profissional dele e não merece ter que entrar na milésima discussão sobre como ele está deixando o tempo passar, sem buscar algo melhor. Você sabe que ele já ouviu esse discurso um milhão de vezes e não é sua obrigação repeti-lo até que ele aceite. Simplesmente não vai acontecer tão fácil assim.

Estar em um relacionamento significa, de muitas formas, dividir. Dividir responsabilidades, tarefas, fardos. Isso quer dizer que não é seu papel carregar tudo sozinha por achar que a pessoa com quem você está não faria isso da forma correta. Uma hora ou outra ele vai ter que aprender. Caso contrário, você vai estar permanentemente exausta.

Já cansei de ouvir amigas reclamando sobre como têm que puxar o pé do namorado para as coisas mais simples. Veja bem, não há nada de errado com assumir essa posição, mas você não acha que é meio cansativo ter que manter permanentemente esse senso de responsabilidade? É um trabalho árduo e que nunca terá um fim, a menos que você determine onde colocará o ponto final.

É meio automático deduzir que os homens não vão saber se cuidar sozinhos. “Ele viveu sempre na barra da saia da mãe”, “ele nunca aprendeu a se virar”, “se eu não fizer, ele vai fazer de qualquer jeito”. Às vezes, o qualquer jeito é o primeiro passo do caminho até o jeito certo. Ou até o jeito que ele conseguirá fazer em um ritmo próprio, pelo menos.

Dar à pessoa com quem você está o espaço para crescer é bom para as duas partes. Ninguém sai perdendo. Ninguém precisa entrar em discussões sem sentido, com gritos e batidas de porta. É bem mais produtivo segurar a mão dele nessa caminhada, que carregá-lo nos ombros.

Você não é mãe dele. E não há nada de errado com isso.

Should I stay or should I go? #38

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Eu gosto de rotinas. Posso dizer que não e inventar uma desculpa para fazer parecer que gosto de viver cada dia intensamente e que aposto na imprevisibilidade de olhos fechados, mas seria tudo uma balela. Gosto muito mais de planejar o que vai acontecer no próximo dia, próxima semana, próximo ano.Gosto de ter tudo bem definido e me sinto muito ameaçada com a falta de estabilidade. Sou aquele personagem caricato dos filmes que sempre fica com um pé atrás antes de todas as cenas realmente significativas da narrativa.

É por essas e outras que uma das minhas metas desse ano foi “dizer sim”. Pura e simplesmente, como no título do livro da Shonda Rhimes. Dizer sim para tudo que me apavora e que torna o chão abaixo dos meus pés em um monte de areia movediça. Ok, isso foi meio brega, mas é mais ou menos essa a vibe: aceitar o assustador, o imprevisível, o diferente.

Depois de quase dez meses, preciso dizer que nem sempre é fácil. Aliás, dizer não também é uma virtude. É importante entender quando vale a pena estabelecer raízes e apostar no conhecido, no confortável. É difícil chegar em um equilíbrio, mas acredito que esse é o tipo de coisa pela qual devemos buscar. Entender quando ir e quando é melhor dar meia volta.

Dizendo sim fui capaz de ir a shows que me renderam experiências únicas, de viajar sozinha e de escrever um artigo no prazo mais apertado de todos. Dizendo sim aceitei esse projeto meio torto de postar todos os dias. Só três letrinhas e eu já estava em um caminho meio diferente e esquisito.

Dizendo não aprendi quem devo manter ao meu lado e entendi que o ego as vezes é uma armadilha meio traiçoeira. Dizendo não economizei dinheiro e fiquei em casa em noites chuvosas, sem nenhum arrependimento. Só três letrinhas e eu já estava colocando minha saúde mental na frente das outras coisas.

Em um monte de livros de auto-ajuda, é possível encontrar mil dicas de “quebre a rotina”, “abandone a estabilidade”, mas, na real, acho que é uma questão bem mais complexa que isso. O que vale mais é estabelecer a sua própria rotina e descobrir o que cabe ou não nela. É abraçar as oportunidades de mudança, mas se conhecer o suficiente para saber quais serão verdadeiramente positivas.

Não importa o que você faça. Eventualmente, você vai quebrar a cara.  Indo ou ficando. Dizendo sim ou não. Esqueça as regras. A vida real ainda é a coisa mais imprevisível que existe.

 

Não se compare #31

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Não se compare. A primeira vista, isso pode parecer algo inofensivo, uma forma de reconhecer os pontos da sua vida que precisam de aprimoramento, mas é só uma grande jornada de autodepreciação. Como diria a Bela Gil, você pode substituir o ato de se comparar por enaltecer as qualidades alheias e buscar desenvolve-las, por exemplo. É bem mais prático, bem mais eficiente e, mais importante de tudo, bem menos destrutivo.

Comparar-se aos outros é, frequentemente, deduzir que você nunca chegará lá. Eles são mais inteligentes, mais preparados, mais esforçados. Você nunca terá tanta determinação, tanta coragem, tanta sorte. É mais fácil pra eles porque eles têm um amigo que faz não sei o que e um parente que faz não sei que lá. Pode até ser, mas em que isso te ajuda?

Uma das armadilhas da comparação é o fato de que a gente não faz ideia do que está por trás do que vemos. É fácil demais enlouquecer se comparando às vidas perfeitas que passam pelo seu feed. Todo mundo é bonito, todo mundo é feliz, todo mundo está vivendo um sonho. Mas você sabe que nem tudo é verdade, não sabe? Sabe que aquilo é só um recorte da realidade, combinado a um bom ângulo de foto e um filtro bem escolhido, né? Como você pode se comparar de modo justo se nem sabe toda a verdade?

Imagine o tempo que poderia ser investido em buscar suas qualidades e identificar o que precisa ser melhorado sem se medir por olhos alheios. Você é o que você tem. E se não fizer o melhor com isso, será um desperdício.

Quem tem medo de ser brega? #16

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A internet tem umas manias estranhas. Isso não é segredo pra ninguém. A grande questão da vez, que tem me deixado bastante intrigada, é o hábito de reclamar de quem é brega. Vez ou outra alguém posta uma foto de um quarto cheio de coraçõezinhos, balões e declarações de amor e um monte de gente comenta que, se visse aquilo, sairia correndo. Sabe aquela frase “se for para namorar assim, prefiro morrer solteiro”? É mais ou menos isso.

Aparentemente, alguém decidiu que demonstrações de amor são bregas. Combinado a isso, também determinaram que o brega é ruim e vergonhoso e, portanto, não deve existir. Balela. Esse é o tipo de coisa que a gente fala sem pensar, mas que, pra seguir, dá mais trabalho do que parece.

Não quero dizer que o amor só é válido se você mandar carro de som com música do Reginaldo Rossi para a porta da pessoa no dia do aniversário de suas semanas de namoro. Não é bem isso. Mas essa mania chata de colocar regra no relacionamento alheio e determinar o que é ou não válido não faz muito sentido.

A grande graça de uma relação é estabelecer regras próprias, que devem fazer sentido unicamente para quem está dentro dela. Quer chamar de momolado, mandar balão em formato de coração e fazer textão no Facebook? Fica a vontade. Quer falar sobre os seus sentimentos só para a pessoa, sem demonstração pública? Maravilhoso também. Isso vai de cada um.

É praticamente impossível viver um relacionamento inteiro sem fazer algo que seria considerado brega por terceiros. E tá tudo bem. Quem disse que você precisa bancar a Elsa o tempo todo? O amor é brega, vida que segue. A maravilha disso tudo é permitir que alguém conheça um lado seu que ninguém mais teve acesso. Se essa não for uma das coisas mais incríveis das relações humanas, não sei o que será.

Tá liberado demonstrar afeto em público, andar de mãos dadas, mandar mensagenzinha de amor no meio do dia sem muita razão. Abrace a breguice. Ela é uma fofa!

Disclaimer: Sei que, infelizmente, muitos casais não podem demonstrar como se sentem em público, mas estou me referindo, especificamente, a quem escolhe não fazer isso por outras razões.