A maior feminista revoltada que você respeita #39

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Durante boa parte da minha adolescência, eu abracei o título de feminista revoltada. Eu era a pessoa que brigava com todo mundo e que se sentia na obrigação de apontar o dedo para cada ato, fala ou pensamento sexista que aparecia por aí. Que tipo de pessoa eu seria se deixasse esse machismo passar? Eu seria só mais uma no meio deles, mais uma arma do patriarcado.

Alguns anos se passaram e eu ainda brigo por causa disso. Bastante. A única diferença é que eu sei em que tipo de discussão vale a pena entrar. De vez em quando, eu me dou o direito de aumentar o volume do fone de ouvido e ignorar os comentários alheios. Me permito respirar fundo e focar em outra coisa, fingindo que a pessoa que falou uma bobagem daquele tamanho não está ali.

Isso não foi uma coisa planejada. Não foi uma resposta aos esforços da minha mãe para que eu não me envolvesse em tanta confusão. Foi só algo que aconteceu naturalmente. Agora eu sei quando vale a pena fazer um textão e quando é muito melhor desfazer amizade ou, simplesmente, continuar rolando a página.

Por muito tempo, afirmei que os deboístas eram só cúmplices nesse processo todo de opressão que fingiam não estar vendo as coisas só para ficarem alheios aos acontecimentos. Hoje, entendo que não perco nenhuma estrelinha na minha carteira de ativista por entender que existem pessoas que não estão dispostas a dialogar e que só querem mais argumentos para atacar os movimentos sociais.

Não sou da política de atingir igualdade com apresentação em PowerPoint, mas gosto de lembrar a mim mesma que não sou obrigada. Eu vou continuar gritando, brigando e reclamando tantas vezes quanto eu achar necessário, mas vou me permitir dar um passo para trás e lembrar que me manter sã também é importante.

Como uma cena de Dear White People aponta maravilhosamente: As vezes, ficar de boas também é um ato revolucionário.

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O manual da garota boazinha #29

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Cruze as pernas, fale baixo, não reclame. Coloque um brinquinho, arrume o cabelo, não corra. Peça desculpas, não importa se você acredita estar certa. Isso não é coisa de menina. Não faça isso, não faça aquilo. Tenha bons modos. Onde já se viu uma garota fazendo algo dessa forma? Seja mais cuidadosa.

Menino é assim mesmo, mal educado, grosseiro, fala alto, faz bagunça. É até um bom sinal que ele corra pela casa porque mostra que ele tem mais energia. É importante a aprender a praticar um esporte logo cedo. Já joga bola melhor que o pai. Menina não, menina não pode, isso não é bonito.

Olha lá, aquela garota correndo com os meninos, onde isso vai parar? Não pode ser um bom sinal. É toda masculina, com esses joelhos ralados, será que a mãe não está vendo? O pai dessa aí vai ter muito trabalho quando ela crescer. Seja boazinha, não faça assim. Brinque sentadinha, quietinha. Não é coisa para você.

Por que você não gosta das coisas das meninas da sua idade? Olha aquela garota da sua escola. Tão educadinha, parece uma princesa.

Isso não pode. Isso também não. Tem que ser assim. Desse jeito é melhor. Olha só, já está aprendendo. Isso. Deixa o cabelo crescer. Coloca um vestido. Quietinha, calada, assim é melhor. Faz isso. Assim. É isso mesmo. Agora sim. Já está pronta pra casar.

Como homens podem contribuir com o feminismo? #28

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A discussão sobre o papel dos homens no feminismo é antiga. Tem quem os considere parte do movimento, tem quem prefira que eles mantenham um certo distanciamento, não existe um veredito e não é sobre isso que quero falar hoje. Meu interesse é tentar ilustrar um pouquinho de como é possível contribuir para o feminismo sendo homem, independente da nomenclatura que você atribuir a quem faz isso.

Acho que o primeiro passo é saber perguntar. Eu particularmente amo debater sobre as pautas do movimento e explicá-las para quem não conhece. Seja para homens ou para mulheres. No entanto, nada me tira mais do sério do que quando os questionamentos soam como acusações e são atirados na minha cara como se eu tivesse que “justificar” as ideologias feministas. Se você tem real interesse em saber mais sobre o tema, pergunte com jeitinho. Não há nada de vergonhoso em não saber das coisas. É muito pior permanecer de olhos fechados para o que está ao seu redor.

Outra coisa importante é entender que o movimento não é sobre você. Quando falamos de cultura do estupro, reclamamos do patriarcado ou exigimos mais representatividade não estamos fazendo um ataque pessoal, apenas comentando sobre um quadro que é reflexo da realidade. “Ah, mas vocês generalizam, nem todos os homens são do jeito que vocês falam”. Nós sabemos disso, mas não estamos preocupadas com as exceções. O que nos assusta é a maioria esmagadora. Não dá pra brincar de roleta russa e esperar que você seja diferente. Prove que você merece confiança. Simples assim.

Por fim, uma dica que parece simples, mas que costuma ser ignorada: Pratique o que o feminismo dissemina. É muito fácil pagar de feministão no Facebook para conseguir a atenção de meninas feministas. Sério. Super simples. O que é realmente complicado é abrir a boca para criticar seus amigos quando eles fazem piadas machistas, quando mandam nudes vazadas para grupos no Whatsapp ou quando tratam as namoradas de uma forma grosseira. É a hora de colocar em prática o que você ouve.

Invés de utilizar as ideologias para silenciar outras garotas e “ensiná-las” como militar, é muito mais eficiente educar seus amigos machistas. Acredite. O planeta inteirinho agradece.

 

Rodrigo Hilbert não é um herói #11

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Herói não sei, mas bonito ele é, viu? Tá de parabéns.

Rodrigo Hilbert é ator, apresentador e, de acordo com o Google, taurino. Aparentemente, ele é gentil, educado e cozinha bem. Além disso, ele é bonito. Acho que quase todo mundo pode concordar com isso. Com certeza, ele é uma série de outras coisas. No entanto, algo que ele não é (exceto, provavelmente, na visão dos filhos) é um herói.

Notícias que mostram ele passando um tempo com os filhos têm viralizado. Mas o que tem de extraterrestre nisso? Ninguém nunca me parabeniza por acordar cedo e ir trabalhar, mesmo nos dias mais frios. Por mais que as vezes isso seja difícil, é apenas a minha obrigação. Nada demais. O que ele está fazendo é a mesma coisa.

Pais têm a obrigação de cuidar dos seus filhos, maridos têm a obrigação de dividir as funções da casa, isso é o mínimo. Toda vez que vejo algum homem reclamando dos “padrões inalcançáveis” que Rodrigo está estabelecendo, me pergunto: Inalcançáveis para quem?

A maioria das mulheres casadas e com filhos que eu conheço fazem as mesmas coisas, se desdobrando em uma jornada dupla (as vezes, tripla) para cuidar das coisas em casa, enquanto trabalham fora. Elas cozinham, cuidam das crianças, fazem atividades domésticas. Ninguém acha isso extraordinário.

Nem todo mundo tem habilidades de carpintaria para fazer uma casa na árvore para os filhos, é verdade. Mas certas coisas são tão básicas, tão elementares, que nem entendo qual é a grande surpresa. O que choca é que alguém consiga fazer isso e ser homem ao mesmo tempo?

Um grupo criou até um evento no Facebook intitulado “Alguém pare Rodrigo Hilbert”. Entre as qualidades inalcançáveis elencadas, estão itens como lavar a louça, ser bom pai e lavar roupa. Gente, calma, né? Nada disso é nenhuma missão impossível que um homem comum (como aponta a descrição do evento) não consiga realizar.

Eu entendo o meme, acredite. Eu sei qual é a tentativa de fazer humor. Mas o próprio Rodrigo já rejeitou o título de “homão da porra” e reconheceu que o que faz é apenas o mínimo, nada além da sua obrigação.

Para quem está cansado da “competição injusta”, fique a vontade: a louça suja está sempre à disposição e a sua esposa agradece.

 

Existe fórmula para vencer o ciúme? #9

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Eu sempre fui muito ciumenta. Com meus amigos, meus familiares, qualquer um. Na minha cabeça, era algo completamente ~natural~ e uma espécie de demonstração de amor e de preocupação. Por isso, foi meio estranho quando eu comecei a ter mais contato com o feminismo e vi pessoas criticando a existência desse sentimento. Demorou um tempo até que eu conseguisse ver algum sentido nisso e hoje não consigo me lembrar de como era pensar de outra forma. No entanto, isso não quer dizer que abandonar os ciúmes seja uma tarefa fácil. De forma nenhuma.

Meu primeiro instinto foi afastar qualquer faísca disso. Enquanto eu reafirma que era nocivo e egoísta da minha parte, era fácil fingir. Adotei a postura despreocupada de quem era sabida demais para se deixar levar por algo tão bobinho. “É só uma construção social”, eu repetia. “Não tem nada a ver”, reafirmava. Mas não é tão simples assim.

Uma vez eu fui conversar com uma amiga do meu namorado de quem eu tinha ciúmes. Aproveitei o fato de que ela era feminista e falei exatamente o que sentia. Para minha sorte, a partir daí, começamos a conversar e descobrimos outras coisas em comum. No entanto, nem isso me deu a fórmula mágica para parar de me importar instantaneamente. Vez ou outra, eu ainda me pegava enumerando inseguranças no que dizia respeito a ela.

Me lembrei disso quando assisti ao vídeo de hoje da Jout Jout sobre a tendência que temos de categorizar sentimentos como negativos ou positivos e expulsá-los imediatamente, sem parar pra pensar. Raiva, tristeza, inveja? Nada disso é bom, deve simplesmente ser ignorado. Atire a primeira pedra quem viu isso funcionar de verdade.

Sentimentos não são caixinhas que podemos deixar num canto, ignorando que existem. Felizmente, é um pouco mais complexo que isso. Por isso, em relação aos ciúmes e a qualquer sentimento ~nocivo~, adotei uma política que é mais honesta comigo: Me perguntar o motivo daquilo. Por que me sinto insegura? Por que isso me deixa brava? Por que estou triste?

Pode até parecer que estou querendo jogar na sua cara uma bobagem positivista, mas na verdade está mais para o contrário. Invés de escolher quais sentimentos valem ou não a pena ser sentidos, é muito mais eficaz entender a motivação por traz deles. Se você gosta de dar nome aos bois, acredito que isso tem um pézinho na Psicanálise. Fica mais fácil lidar com as coisas quando entendemos de onde elas surgem e o que significam.

A síndrome da pessoa boazinha (que renderá um post em breve) é muito nociva e improdutiva. Não vale a pena fingir estar sempre de bom humor, se é tudo uma grande mentira. Entenda o que está sentindo. Viva um pouquinho o sentimento. Se questione. Procure compreender por que aquilo te afeta e de que forma você pode lidar com isso. As vezes, a solução que vai surgir na sua cabeça é realmente respirar e esquecer aquilo. De vez em quando, pode ser que você decida quebrar tudo. Aí vai de cada um.

Fórmulas mágicas só funcionam em livros de contos de fada. Na vida real, o buraco é mais em baixo.

Usar maquiagem é mais legal que ser cult #4

penelope

Um tempo atrás, assisti a um vídeo da minha xará, Stephanie Noelle, falando sobre algo que eu queria comentar há muito tempo, mas que não sabia exatamente como articular. Felizmente, a forma que ela colocou tudo me ajudou muito nesse processo.

Como todo mundo sabe, na nossa querida sociedade patriarcal que ama ditar normas inúteis, foram estabelecidos papeis de gênero. Isso quer dizer que existe um consenso social de que as mulheres devem se portar de um jeito A e os homens de um jeito B. De acordo com essa ideia, coisas relacionadas a moda e beleza acabaram sendo tratadas como exclusividade feminina. Ou seja: para ser mulher (segundo essa visão), você precisa gostar de maquiagem, das tendências das passarelas, disso e daquilo outro.

E pra piorar, existe uma outra determinação que é exatamente o oposto. Segundo ela, gostar disso é futilidade. Aí fica ao nosso critério arrumar o meio termo entre não ser desleixada e não ser fútil. Não podemos ~desperdiçar neurônios~ nos preocupando com essas ~bobagens~ de moda, mas também não dá pra simplesmente ignorar isso. Todo mundo gosta de uma mulher elegante e bem maquiada que sabe discursar sobre uns assuntos complexos.

É cansativo. Exaustivo, eu diria. Tem tanta coisa que temos que ser, tanta necessidade de preencher um monte de requisitos. É um papel difícil pra quem tenta assiduamente conquistar a aprovação social. Uma mulher como a Stephanie, que fez faculdade de jornalismo na PUC e é muito inteligente, não pode perder tempo investindo no ramo da moda, por exemplo. Quando ela decidiu seguir por esse caminho, todo mundo apontou o dedo achando horrível que ela fosse seguir algo tão inútil.

Num meio de tanta gente metida a intelectual, quem sabe o nome dos batons da MAC e gosta de fazer uma maquiagem diariamente quase nunca é levado a sério. Você não pode gostar de blogueiras de moda, de vídeos de comprinhas e de tutoriais se quiser respeitada na internet. Isso é coisa de gente fútil, vazia.

Dá pra notar isso até quando observamos outras produtoras de conteúdo. Normalmente, mulheres que falam sobre outros assuntos na internet e resolvem abordar moda ou beleza, começam dizendo “ai, não entendo nada disso” ou soltando um “oi, meninas”, pra deixar claro que é uma brincadeira. Mas, gente, pelo amor de Jeová: Tá tudo bem.

Gostar de maquiagem e saber fazer um delineado não diminui o seu QI. Não te torna menos inteligente, menos interessante, menos nada. É um absurdo que tanta repulsa seja dedicada a um grupo de coisas única e exclusivamente porque ele é associado à imagem feminina. Não existe isso de “futilidade” ou de “assunto inútil”. Cada um gosta do que quer, paciência. Não to dizendo a ninguém que é futilidade passar 3 horas em frente a uma televisão assistindo gente do outro lado do mundo correr atrás de uma bola. Simplesmente porque ninguém é obrigado a nada.

A gente não precisa tá o tempo inteiro lendo Sartre e declamando poesia pra ter a nossa opinião validada. Não precisamos usar um vocabulário polido o tempo inteiro nem fingir que a gente não gosta de passar uns bons 40 minutos assistindo vídeos de gatinho (ou de tutorial de maquiagem!) de vez em quando. Essa onda de querer ser mais inteligente, mais culto, mais polido, mais não sei o que é inútil.

Eu sou contra essa ideia de associar o feminismo e os movimentos sociais ao consumismo, quero deixar isso bem claro. Por mais que eu acredite que a negação do que é visto como feminino é misoginia, não acho que enaltecer esses temas é uma forma de empoderamento. Mas a questão é que todo mundo deve ter o direito de escolher do que gosta e do que não gosta. É o mínimo.

Não importa o que a gente faça, sempre vai ter alguém nos silenciando por isso. Aqui o assunto é maquiagem, mas pode ser literalmente qualquer outra coisa. Assistir desenho. Ouvir boyband. Gostar de novela. Qualquer coisa. Parece que todo mundo quer agir como se vivesse numa realidade paralela em que a vida é divida entre discutir sobre as questões profundas do mundo, assistir documentários holandeses e ler umas enciclopédias. Imagina só quão insuportável isso seria. Nosso cérebro sequer seria capaz de processar as coisas.

Tem gente que estuda muito a fundo sobre moda. Que entende, que pode te falar sobre formas, tecidos, cores, que conseguiria discursar sobre isso por horas. E aí você vai me dizer que o estudo dessa pessoa é inútil só porque ela não tava aprendendo sobre física quântica? Por favor.

Que bom que tem gente no mundo interessada em aprender sobre biologia. Sobre matemática, filosofia, política, economia, astronomia. É ótimo. É incrível. E o mundo só gira em harmonia justamente porque nós nos dividimos em estudar coisas diferentes. Que incrível que possamos ser tão plurais, tão diferentes, que a gente possa lidar com a diversidade e entender que é só por causa dela que tudo segue tranquilamente.

Então, assista suas novelas. Leia seus mangás. Use a sua maquiagem. Acompanhe vídeo de comprinhas. Todo mundo vai sempre apontar o dedo, sempre achar fútil, achar ruim, achar que não tá bom o suficiente. Pra que se preocupar tanto?

Falar sobre existencialismo é massa, mas fazer um delineado perfeito é muito mais impressionante.

O corpo feminino não é público

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Esse gif não tem exatamente muito a ver com o post mas achei legal. Desculpa.

No último fim de semana, eu fui pra um show maravilhoso que tinha atrações como Marília Mendonça e Maiara e Maraisa. Essa informação tem muita relevância na história? Nenhum pouco, mas eu não queria deixar de frisar que os shows em si foram incríveis. Infelizmente, eu também acabei presenciando umas cenas assustadoras. A quantidade de homem puxando o braço de mulher, tentando forçar beijo e falando uns absurdos que eu vi me deixou completamente enojada.

Eu juro que fiquei a ponto de entrar em brigas algumas vezes de tão incomodada que eu tava. Mas eu não fiz nada. Eu só desejei do fundo do meu coração que aqueles caras parassem, mas eu, a feministona descontruída que faz textão falando de assédio, não fiz nada. Eu sequer sabia o que fazer. E isso não é o pior de tudo: a pior parte é que eu sei que é algo absurdamente frequente.

Sei disso porque vi a quantidade de pessoas que sequer olhavam duas vezes pra o que tava acontecendo. Sei disso porque quando comentei com uma amiga ela disse que era “esperado”. Sei disso porque um dos caras que eu vi estava acompanhado do pai, que, assim como ele, achava toda a situação super engraçada. Quem não acharia hilário ficar assediando mulheres descaradamente?

Em poucas situações da minha vida, eu me senti tão impotente. Tão frustrada. É bizarro ver a quantidade de pessoas que continuam andando, bebendo e cantando as músicas, enquanto alguém puxa o rosto de uma mulher pra beijá-la a força. É pior ainda que eu saiba que algumas pessoas vão dizer que “todo mundo sabe que isso acontece” e que “se tivessem em casa, isso não teria acontecido”.

Esses argumentos, que sequer deveriam receber esse título, são, no mínimo, infantis. É quase como uma criança tentando se justificar por algo que sabe que está errado. Afirmar que porque isso acontece com frequência, as mulheres simplesmente deveriam ignorar ou evitar frequentar lugares que possam servir de cenário pro assédio é surreal. Literalmente surreal.

Nem preciso recorrer aos vários exemplos de mulheres assediadas em casa, na escola, no trabalho, preciso? A questão não é a localização da mulher. O grande problema é essa noção totalmente enganada de que o corpo feminino é público. De que é só um toque, só um puxão, só um beijo. De que o consentimento é uma farsa criada pra culpabilizar os pobres homens que, como todo mundo sabe, têm lá as suas necessidades.

Não podemos deixar a frequência dessas situações se tornarem argumento pra banalizá-las. Pelo contrário: O fato de que milhões de mulheres passam por isso deve servir de incentivo pra que a gente entenda que é uma causa pela qual vale a pena lutar, que é um quadro que precisa ser revertido. Esse tipo de caso não pode ser relativizado porque “ai todo mundo passa por isso”.

E por que todo mundo passa por isso? Por que a mulher não pode ter direito de ir e vir e de ter total autonomia sobre o próprio corpo? Soa aceitável isso? Que a gente precise se esconder, se privar, desviar, quando muitas vezes nem isso é suficiente?

Assédio não é normal. Não é aceitável, nem esperado, nem deve ser ignorado. Assédio é um crime. Um crime. Com todas as letras. E quem relativiza crime é tão criminoso quanto quem comete.

maiara e maraisa

Uma foto de Maiara e Maraisa só porque sim. Que mulheres ❤