“Ué, é só isso?”

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Como mencionei por aqui, uma das melhores decisões que tomei em 2017 foi voltar para a terapia. É incrível e intenso mergulhar em si mesmo e refletir sobre um monte de coisas que costumam passar despercebidas. Sério. Não tem preço. Apesar disso, esse não é exatamente o assunto de hoje.

A verdade é que eu discuti bastante com a minha maravilhosa terapeuta sobre aquela sensação de “ué, é só isso?”, que bate quando realizamos uma meta que elegemos como a mais importante de todas. A gente acha que precisa de tal coisa pra que a vida realmente faça sentido e entre nos eixos. Morar sozinha, ter um emprego, entrar na faculdade. Sempre tem aquela coisa que faz com que a gente pense “quando eu fizer isso, a minha vida vai mudar completamente”.

Mas nem muda tanto assim. Na maior parte das vezes, você só vira uma versão de si mesmo com mais responsabilidades. Nada é tão instantâneo, nem acontece num passe de mágica. É claro que sair de casa, entrar na faculdade e conquistar o emprego dos sonhos mudam as coisas de alguma forma, mas não é algo imediato. Essas coisas levam tempo e a gente quase nem se dá conta de que realmente mudou até que para pra refletir.

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Atualização Mensal: Livros nacionais de Janeiro

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Hello! Como vai você?

Gostei tanto de fazer um post com mini resenhas dos filmes assistidos em 2018, que resolvi fazer basicamente a mesma coisa com os livros que li durante este mês. Como, felizmente, tem bastante coisa pra comentar, vou dividir o conteúdo em duas postagens: uma com as obras nacionais e outra com as internacionais, pra nem eu nem você enlouquecermos.

O melhor de tudo é que essa postagem já faz parte do desafio Mulheres Para Ler, do canal Conto em Canto. Neste ano, a Iara Picolo lançou um calendário especial com desafios mensais e o de Janeiro é, justamente, ler uma autora nacional. Ou seja, além de tudo, você pode conferir umas indicações que se encaixam nesse projeto maravilhoso. ❤

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Arquivo S: Os filmes de 2018 (até agora)

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Hello!

Como mencionei no meu post de metas, quero assistir pelo menos 60 filmes esse ano e resenhar o máximo possível deles por aqui. Então, já que passei as últimas semanas meio que de férias, resolvi retomar o tempo perdido e falar sobre o que assisti até agora.

São muitas coisas? Com certeza não. Mas pelo menos tem algumas indicações interessantes que podem servir de inspiração, se essa for sua meta também.

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Minhas metas para 2018

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“Dias melhores virão”

Eu sou A Doida das Listas. Com letras maiúsculas e bastante destaque porque é um título que carrego com orgulho e que faço por merecer: faço listas em todas as situações possíveis (e nas impossíveis também). Por isso, não deve ser surpresa pra ninguém que eu adoro uma boa listinha de metas de ano novo. Sou fissurada por essa tradição e, como boa virginiana, adoro ir riscando cada um dos itens.

Há uns anos, abandonei a mania de utilizar esse tipo de lista como uma enumeração de sonhos mirabolantes e passei a focar bem mais em objetivos concretos. Até agora, tem dado bastante certo. Das minhas metas do ano passado, só duas ficaram faltando e estou disposta a tirar o tempo perdido e completá-las agora.

Por isso (e para aumentar a humilhação, caso eu não a cumpra), resolvi compartilhar a lista deste ano por aqui.

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Um brinde à intensidade de 2017

Sem dúvidas, 2017 foi um dos anos mais intensos da minha vida. Passei a primeira semana dele no hospital e até achei que isso era um sinal mirabolante de que as coisas não dariam muito certo ao longo dos dias seguintes, mas, no fim das contas, sinto que aprendi muito e que me permiti crescer e amadurecer como nunca.

Fiz vinte anos e senti todas as emoções doidas da vida adulta, como viajar sozinha, fazer minha primeira e tão sonhada tatuagem, passar o ano inteirinho sem morar com ninguém e noivar (!!!). Escrevi dois artigos, apresentei um deles em uma cidade distante e redescobri meu amor pela vida acadêmica.

Voltei para a terapia e mergulhei em mim mesma, descobrindo que essa é a melhor viagem que você pode fazer. Depois de mais de dez anos, passei 365 dias sem escovar meu cabelo e entendi que isso é muito mais que uma simples questão de estética, tem a ver com identidade, pertencimento e amor próprio.

Trabalhei muito e percebi que essa rotina louca pode ser tanto cansativa quanto libertadora e, normalmente, é os dois ao mesmo tempo. Comecei a criar uma planta, vi meu irmão se formar no Ensino Médio e fiz novas amizades. Fui mais honesta comigo mesma e me permiti.

Escrevi e li bastante e voltei a me conectar com esse lado que eu tinha abandonado, mas que amo tanto. Comecei a me organizar melhor financeiramente e tenho me interessado bastante por tudo relacionado a essa área. Entendi mais sobre mim e adquiri uma visão totalmente nova sobre o mundo ao meu redor.

No meio dos altos e baixos, mantive sempre perto as pessoas que fazem tudo valer a pena. Cresci muito e me sinto cada vez mais conectada com uma versão mais real de mim. Foi um ano louco, transformador e assustadoramente intenso, com uma importância gigantesca.

Que 2018 seja ainda mais cheio de intensidades.

Um brinde a tudo que passou e às experiências que estão por vir.

Feliz ano novo (e feliz 3 anos de Desfabuloso Destino)!

Você não é a mãe do seu namorado #42

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É isso. Você não é a mãe do seu namorado. Nem do seu marido, nem do seu rolinho, nem do seu crush, nem de seja lá como você chame a pessoa com quem você está se relacionando. Esse é o tipo de coisa que parece óbvia demais, mas que nós costumamos esquecer. Você não é obrigada a lembrá-lo de pagar os boletos, de estudar pras provas ou de ir ao médico. É claro que você pode fazer isso (e é gentil que faça), mas não é sua obrigação.

Você não é responsável pelo sucesso profissional dele e não merece ter que entrar na milésima discussão sobre como ele está deixando o tempo passar, sem buscar algo melhor. Você sabe que ele já ouviu esse discurso um milhão de vezes e não é sua obrigação repeti-lo até que ele aceite. Simplesmente não vai acontecer tão fácil assim.

Estar em um relacionamento significa, de muitas formas, dividir. Dividir responsabilidades, tarefas, fardos. Isso quer dizer que não é seu papel carregar tudo sozinha por achar que a pessoa com quem você está não faria isso da forma correta. Uma hora ou outra ele vai ter que aprender. Caso contrário, você vai estar permanentemente exausta.

Já cansei de ouvir amigas reclamando sobre como têm que puxar o pé do namorado para as coisas mais simples. Veja bem, não há nada de errado com assumir essa posição, mas você não acha que é meio cansativo ter que manter permanentemente esse senso de responsabilidade? É um trabalho árduo e que nunca terá um fim, a menos que você determine onde colocará o ponto final.

É meio automático deduzir que os homens não vão saber se cuidar sozinhos. “Ele viveu sempre na barra da saia da mãe”, “ele nunca aprendeu a se virar”, “se eu não fizer, ele vai fazer de qualquer jeito”. Às vezes, o qualquer jeito é o primeiro passo do caminho até o jeito certo. Ou até o jeito que ele conseguirá fazer em um ritmo próprio, pelo menos.

Dar à pessoa com quem você está o espaço para crescer é bom para as duas partes. Ninguém sai perdendo. Ninguém precisa entrar em discussões sem sentido, com gritos e batidas de porta. É bem mais produtivo segurar a mão dele nessa caminhada, que carregá-lo nos ombros.

Você não é mãe dele. E não há nada de errado com isso.

O que é um relacionamento abusivo?

Fazer a pessoa com quem você está se sentir louca, instável e sempre errada é abusivo. Querer controlar a vida de alguém, ditando com quem ela pode ou não se relacionar e de que modo deve agir é abusivo. Não respeitar o “não” de alguém também é  um comportamento abusivo.

Esses são sinais que podem ser facilmente ignorados no dia a dia, mas que, juntos, geram um quadro preocupante: o de relacionamento abusivo. De acordo com um levantamento da ONG Artemis, que atua com a promoção da autonomia feminina e prevenção e erradicação da violência contra as mulheres, três em cada cinco mulheres do Brasil passam, passaram ou passarão por uma situação desse tipo.

Um dos fatores que agrava esse quadro é a desinformação. Como o tema é pouco debatido e muitos desses comportamentos foram naturalizados, acaba sendo difícil identificar a situação: Tanto para os causadores, quanto para as vítimas.

Por isso, antes de tudo, é importante reconhecer os sinais e saber diferenciar a preocupação genuína do desejo de assumir o controle da vida alheia. É claro que cada situação é única e que não existe um manual capaz de ditar todas as regras, mas vale a pena prestar bastante atenção.

A possessividade e o ciúme exarcebado são duas características que devem fazer acender um sinal vermelho. Não é aceitável que a pessoa com quem você se relaciona (seja romanticamente, como amizade e até com algum grau de parentesco) queira impor regras para determinar as pessoas com quem você convive, o jeito que se veste ou como se porta.

A desculpa de que isso é uma “demonstração” de amor é só isso: Uma desculpa. Não há como justificar esse tipo de ação. É possível (e bem mais saudável) amar sem controlar.

Quer saber mais sobre o tema? Confere essa entrevista que eu fiz com a psicóloga Ítala  Daniela: