O ano em que mergulhei em mim

giphy

Se eu tivesse que descrever o meu ano com uma palavra, com certeza não precisaria pensar muito: intenso. Entre terapia, yoga e um recém-descoberto amor por budismo, tive a oportunidade de mergulhar nos meus próprios sentimentos, escancarando umas verdades mascaradas e desvendando coisas que eram secretas até pra mim.

Nesse período, tive a chance de me conhecer (e de me desconhecer, como diria a minha analista), podendo me aproximar da versão de mim que fazia mais sentido. Não serei ousada a ponto de dizer que era a mais verdadeira, mas era o que eu tinha para oferecer no momento.

Por muitas vezes, fiquei mal. Me questionei, duvidei, me senti em um bom drama adolescente, em que nada faz sentido. A verdade é que se deparar com o seu reflexo não é fácil. Encarar seus medos, inseguranças e fragilidades pode ser bastante assustador. Mas, quando se é jogado para fora da zona de conforto, é difícil voltar pra ela.

É difícil desver as próprias questões e seguir a vida como se não percebesse o que foi escancarado. Por isso, precisei aprender outra forma de ser. Se o desafio fosse escolher a palavra que descreveria a minha relação comigo mesma, um bom palpite seria perdão. Pra descobrir como ser mais leve, precisei me perdoar pelos pesos que carregava em vão.

Nesse meio tempo, tive mil crises existenciais, me sentindo a maior fraude que já existiu no universo inteirinho. Mas, por incrível que pareça, sobrevivi. Sai desse processo um pouquinho mais corajosa, mais feliz, mais certa sobre o que preciso fazer por mim. Aprendi a me respeitar, entender meus desejos, minhas necessidades.

Aprendi, acima de tudo, que não preciso me cobrar perfeição. Que, eventualmente, as dúvidas vão existir. E que tá tudo bem. Tá tudo bem não ter certeza e tentar mesmo assim. Tá tudo bem quebrar a cara, voltar do começo e descobrir uma forma diferente de lidar com as coisas.

Por isso, meu maior desejo para 2019 (além de sobreviver ao governo de vocês sabem quem) é descobrir cada vez mais quem eu sou, em todas as mil facetas possíveis. Quero ser cada vez mais honesta com os meus sentimentos, respeitando meus limites e meus desejos.

Quero ser mais corajosa, mas abraçar a covardia, quando for o melhor que eu tiver para oferecer. Quero mergulhar cada vez mais profundamente, mapeando cada cantinho de mim e descobrindo como fazer o máximo disso. Quero que eu seja cada vez mais eu e que não tenha medo do que isso significa.

Então, é isso. Que 2019 seja intenso e maluco à máxima potência. Apertem os cintos. 🙂

Anúncios

Um brinde à intensidade de 2017

Sem dúvidas, 2017 foi um dos anos mais intensos da minha vida. Passei a primeira semana dele no hospital e até achei que isso era um sinal mirabolante de que as coisas não dariam muito certo ao longo dos dias seguintes, mas, no fim das contas, sinto que aprendi muito e que me permiti crescer e amadurecer como nunca.

Fiz vinte anos e senti todas as emoções doidas da vida adulta, como viajar sozinha, fazer minha primeira e tão sonhada tatuagem, passar o ano inteirinho sem morar com ninguém e noivar (!!!). Escrevi dois artigos, apresentei um deles em uma cidade distante e redescobri meu amor pela vida acadêmica.

Voltei para a terapia e mergulhei em mim mesma, descobrindo que essa é a melhor viagem que você pode fazer. Depois de mais de dez anos, passei 365 dias sem escovar meu cabelo e entendi que isso é muito mais que uma simples questão de estética, tem a ver com identidade, pertencimento e amor próprio.

Trabalhei muito e percebi que essa rotina louca pode ser tanto cansativa quanto libertadora e, normalmente, é os dois ao mesmo tempo. Comecei a criar uma planta, vi meu irmão se formar no Ensino Médio e fiz novas amizades. Fui mais honesta comigo mesma e me permiti.

Escrevi e li bastante e voltei a me conectar com esse lado que eu tinha abandonado, mas que amo tanto. Comecei a me organizar melhor financeiramente e tenho me interessado bastante por tudo relacionado a essa área. Entendi mais sobre mim e adquiri uma visão totalmente nova sobre o mundo ao meu redor.

No meio dos altos e baixos, mantive sempre perto as pessoas que fazem tudo valer a pena. Cresci muito e me sinto cada vez mais conectada com uma versão mais real de mim. Foi um ano louco, transformador e assustadoramente intenso, com uma importância gigantesca.

Que 2018 seja ainda mais cheio de intensidades.

Um brinde a tudo que passou e às experiências que estão por vir.

Feliz ano novo (e feliz 3 anos de Desfabuloso Destino)!